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Internacional

Estátua de Gandhi vai ser removida de universidade no Gana

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Christian Thompson/AP

Professores da Universidade do Gana, no campus de Accra, levaram a cabo uma petição no mês passado para a remoção da estátua de Gandhi, acusando o antigo Presidente da Índia de racismo

Mais de mil académicos da Universidade do Gana, no campus de Accra, assinaram uma petição, lançada em setembro, que tinha como finalidade a remoção da estátua de Mahatma Gandhi. O corpo docente acusa o antigo presidente da Índia de ter sido racista enquanto viveu no continente africano e exigiu a remoção da estátua. Para evitar controvérsia e assegurar a segurança da estátua, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Gana revelou que vai transferir a estátua para outro local.

Os professores atacam o antigo líder indiano, alegando que “preferem preservar a sua dignidade do que se prostrarem diante dos desejos de uma superpotência euro-asiática emergente”. Para os académicos, a Universidade deveria dar prioridade aos heróis e heroínas africanos.

Os docentes argumentam ainda que Gandhi escreveu, durante o período em que viveu na África do Sul, que os indianos são “infinitamente superiores” aos africanos negros.

Considerado um herói a nível mundial, Gandhi liderou o movimento que trouxe a independência à Índia face à Grã-Bretanha através de protestos pacíficos. A sua tolerância em relação a todas as religiões ditou a sua morte por um fanático Hindu em 1948.

“Como ser humano que era, Mahatma Gandhi pode ter tido as suas falhas, mas temos de nos lembrar que as pessoas evoluem”, lembra o MNE do Gana. O seu neto, Rajmohan Gandhi, admitiu que o avô foi na sua juventude “ignorante e preconceituoso” em relação aos sul-africanos negros.

Gandhi é ainda acusado de ter perpetuado o sistema de castas na Índia, uma hierarquia social bastante antiga que define o estatuto social de cada cidadão.