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Internacional

Equipas de resgate sem acesso às partes do Haiti mais afetadas pelo furacão Matthew

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ERIKA SANTELICES

Passagem do furacão de categoria 4 numa escala de cinco graus provocou milhares de deslocados e pelo menos 23 mortos na ilha caribenha onde o país está localizado, partilhada com a República Dominicana. Estado de emergência já foi declarado nos estados norte-americanos da Florida e da Carolina do Sul, que deverão ser atingidos pela tempestade esta quinta-feira

Equipas de resgate e salvamento estão desde terça-feira a tentar alcançar as partes do Haiti mais afetadas pelo furacão Matthew, de acordo com os especialistas o mais poderoso furacão a atingir as Caraíbas em quase uma década.

Além de ter provocado milhares de deslocados e pelo menos 23 mortos, incluindo quatro na República Dominicana, o furacão de categoria 4 numa escala de cinco e os seus ventos de 230 quilómetros/hora deixaram inacessíveis partes do Haiti já de si remotas e forçaram as autoridades a adiar as eleições presidenciais que estavam marcadas para este fim de semana.

Neste momento, o Matthew está a aproximar-se das Bahamas e dos estados norte-americanos da Florida e da Carolina do Sul, onde já foi declarado o estado de emergência. Todo o tráfego aéreo e marítimo foi suspenso nas mais de três mil ilhas que compõem o arquipélago das Bahamas e a população aconselhada a deslocar-se para os pontos mais altos do território — a fim de evitarem potenciais deslizamentos de terras semelhantes aos que soterraram pelo menos quatro pessoas na República Dominicana no início da semana.

As autoridades dizem que ainda não têm dados sobre a verdadeira extensão dos estragos e danos provocados pela passagem do Matthew, em particular na área de Grand Anse, na ponta sul do Haiti, que alberga uma das comunidades mais pobres e vulneráveis do país e que foi diretamente atingida pelo furacão. Uma ponte essencial ficou destruída, as estradas intransponíveis e as comunicações telefónicas não funcionam há dois dias.

Segundo Mourad Wahba, representante especial da ONU para o Haiti, pelo menos dez mil pessoas ficaram sem casas e foram realojadas em abrigos temporários, com os hospitais a funcionarem acima das suas capacidades. “O que sabemos é que muitas, muitas casas ficaram danificadas”, avançou o Ministro do Interior, François Anick Joseph. “Alguns telhados ficaram parcialmente destruídos e terão de ser substituídos, outros ficaram totalmente destruídos.”

Entre os edifícios mais danificados contam-se escolas e igrejas que seriam usadas como estações de voto nas eleições de domingo no Haiti. Ainda não foi anunciada uma nova data para o sufrágio.

Em Cuba, dezenas de casas na cidade de Baracoa também ficaram destruídas à passagem do Matthew na quarta-feira, em rota para os estados costeiros do sul dos EUA. Barack Obama já avisou que os próximos dias serão perigosos em particular para as populações da Florida e Carolina do Sul.

O governador do primeiro estado, Rick Scott, diz que o seu estado está preparado para ativar a mais abrangente operação de evacuação de sempre. A governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, diz que 250 mil pessoas já foram retiradas das zonas costeiras por causa do mais poderoso furacão a atingir aquela região desde o Felix em 2007.