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Chefe da polícia das Filipinas desmente ligações de Duterte a esquadrões da morte

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TED ALJIBE

Ronald Dela Rosa nega patrocínio estatal secreto da guerra extrajudicial contra as drogas em resposta a reportagem exclusiva do “The Guardian”. Sondagem mostra que filipinos estão “muito satisfeitos” com o novo Presidente. Pelo menos 3600 pessoas já foram executadas desde que Rodrigo Duterte chegou ao poder há três meses, 2294 delas por alegados vigilantes que serão, na realidade, agentes da polícia disfarçados para obscurecer ligações do Governo à onda de execuções

O chefe da polícia nacional filipina (PNP, na sigla inglesa) desmentiu a notícia avançada em exclusivo pelo "The Guardian" esta semana, na qual o jornal citava um membro das forças de segurança a confirmar a ligação secreta do Governo de Rodrigo Duerte aos esquadrões da morte, que têm levado a cabo execuções extrajudiciais de alegados traficantes de droga e toxicodependentes em várias partes do país desde julho.

A reportagem especial teve por base uma entrevista com uma alta patente da polícia filipina, que diz ter liderado dez equipas de operações especiais, cada uma com 16 membros, a quem o Presidente deu a missão de matar suspeitos de consumo de droga, traficantes e criminosos. Na entrevista, o agente da polícia diz que os esquadrões da morte são compostos por membros ativos das forças de segurança que atuam por forma a que as execuções pareçam ser perpetradas por "vigilantes" armados, com o propósito claro de ocultar o envolvimento da polícia a mando do Governo.

Em resposta ao artigo do jornal britânico, Ronald Dela Rosa convocou uma conferência de imprensa em Manila, a capital do arquipélago, para desmentir "veementemente" as acusações. "Para registo, nego veementemente a criação de tal esquadrão de ataque", declarou o chefe da PNP. "Porque é que precisaríamos de formar um esquadrão quando podemos recorrer às tarefas regulares de agentes regulares em operações contra as drogas ilegais? Porque é que precisaríamos de um esquadrão da morte?"

Dela Rosa exigiu ainda que o "The Guardian" revele a sua fonte. "Direi à jornalista que a notícia é falsa. Ela terá inventado a história se não me disser quem é o alto cargo da polícia que cita", referiu o diretor-geral da PNP citado pelo website Rappler. "Espero que a escritora me apresente [o nome desse] agente e que o agente que proferiu essas declarações tenha tomates", acrescentou, antes de se dirigir à fonte. "És um membro da polícia e é isto que fazes, destruir a organização? Que tipo de agente és tu? Não tens tomates."

Na reportagem, a correspondente do jornal em Manila inclui alegações de que as listas de alvos a "neutralizar" são fornecidas às equipas de execução pelos seus superiores hierárquicos dentro da força policial. Desde que Rodrigo Duterte tomou posse, a 1 de julho, mais de 3600 pessoas já foram executadas nas Filipinas por suspeita de uso ou venda de droga, 1390 delas em operações oficiais da polícia e 2294 por alegados vigilantes.

Uma sondagem independente divulgada esta quinta-feira mostra que Duterte é cada vez mais popular entre os filipinos, com 76% dos inquiridos pela Social Weather Station a dizerem que estão "satisfeitos" com a performance do novo Presidente nos primeiros 90 dias de mandato, uma parte desses "muito satisfeitos", contra apenas 11% de "insatisfeitos".

De acordo com este resultado, Duterte é o segundo Presidente mais popular da História das Filipinas nos primeiros três meses de mandato, com uma taxa de apoio ligeiramente inferior à de Fidel Ramos, que governou o país entre 1992 e 1998.