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Guterres é “esperança”, é “sangue novo”

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MIGUEL A. LOPES / LUSA

Jorge Sampaio diz que a vitória de Guterres significa que “triunfou uma forma participada, contra manobras de última hora”, referindo-se à candidatura de última hora da búlgara Kristalina Georgieva ao cargo de secretário-geral da ONU

O ex-Presidente português Jorge Sampaio destacou esta quarta-feira que, com a vitória de António Guterres na sexta ronda para a eleição do próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), “triunfou uma forma participada, contra manobras de última hora”.

Em declarações, via telefone, à SIC Notícias, o ex-Presidente da República referiu-se assim ao surgimento, a meio do processo eleitoral, da comissária europeia para Orçamento e Recursos Humanos, Kristalina Georgieva, apoiada por Bulgária e Alemanha.

O resultado desta quarta-feira provou que tal “manobra” era “contra o sentimento geral” e impôs um “processo participado”, frisou Jorge Sampaio, ex-enviado especial da ONU e que preside atualmente à Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios.

O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi esta quarta-feira indicado como favorito para secretário-geral das Nações Unidas pelo Conselho de Segurança à Assembleia Geral.

A eleição de Guterres - que precisa agora de ser confirmada pela Assembleia-Geral da ONU - “é uma esperança, um sangue novo”, que inaugura uma “nova época” para a organização, considerou Jorge Sampaio, sublinhando que o ex-alto comissário não teve tarefa “fácil”.

O ex-chefe de Estado português elogiou as “qualidades” e “capacidades” de Guterres, que já felicitou “pessoalmente”, pelo “momento notável” e “pela forma como a sua candidatura foi gerida”.

Sampaio enalteceu ainda a diplomacia de Portugal. “Somos vistos de uma forma muito positiva, com capacidade de diálogo em todas as direções”, frisou. “É uma grande notícia” para “um país que tem necessidade de boas notícias”, disse.
O sucessor do atual secretário-geral, Ban Ki-moon, terá pela frente “tarefas gigantescas”, antecipa Sampaio.

O Conselho de Segurança da ONU anunciou esta quarta-feira que António Guterres foi o “vencedor claro” da votação, recebendo 13 votos de encorajamento e duas abstenções, uma das quais de um dos cinco membros permanentes com direito de veto.

Este órgão, com poder de veto, deverá aprovar, na quinta-feira, uma votação formal a indicar o nome de António Guterres para a Assembleia Geral das Nações Unidas, formalizando a eleição.