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Nobel da Física premeia descoberta de novas fases de transição da matéria

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Anders Wiklund/TT

A distinção anunciada esta manhã foi partilhada por um trio de físicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz

Os investigadores David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz foram esta terça-feira anunciados como os vencedores do Prémio Nobel da Física, escolha justificada pela academia sueca pelas suas descobertas teóricas sobre “transições de fase topológicas e fases topológicas da matéria”.

Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, os três cientistas britânicos agora distinguidos revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico.

"Os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas", pode ler-se no comunicado.

Graças ao trabalho pioneiro dos três investigadores, a comunidade científica procura agora novas e exóticas fases da matéria e há uma grande esperança nas suas potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na eletrónica.

Contactado em direto pela academia durante a cerimónia de anúncio dos prémios, F. Duncan M. Haldane manifestou-se "muito surpreendido e muito grato" pela distinção.

"Este trabalho foi realizado há muito tempo, mas agora há novas descobertas a acontecer baseadas nesse trabalho. Há muita esperança de que estes novos materiais tenham grande potencial", disse o cientista, que admitiu: "como em outras descobertas, tropeçamos nelas e nem nos apercebemos das implicações até que outras pessoas comecem a falar disso".

O uso dos conceitos topológicos pelos três laureados foi decisiva para as suas descobertas, escreve a academia, que explica que a topologia é um ramo da matemática que descreve propriedades que só mudam passo a passo.

"Usando a topologia como instrumento, conseguiram surpreender os especialistas", pode ler-se no comunicado.

As descobertas ocorreram no início dos anos 70 e nos anos 80, mas na última década esta área de investigação impulsionou pesquisas de vanguarda em física da matéria condensada, esperando-se que estes materiais topológicos possam vir a ser usados nas novas gerações da eletrónica e dos supercondutores ou nos futuros computadores quânticos.

A investigação atual está a revelar os segredos da matéria nos mundos exóticos descobertos pelos prémios Nobel da Física deste ano.

O prémio Nobel corresponde a uma recompensa de oito milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de 834.000 euros, que será partilhado pelos cientistas: metade para David J. Thouless, da universidade de Washington, em Seattle, EUA, e outra metade a dividir entre F. Duncan M. Haldane, da Universidade de Princeton, em Nova Jérsia, e J. Michael Kosterlitz, da Universidade Brown, em Providence, ambas nos EUA.

A temporada dos prémios Nobel 2016 começou na segunda-feira com o anúncio do Nobel da Medicina, atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi pela descoberta do mecanismo de autofagia celular.

Na quarta-feira é anunciado o Nobel da Química e na sexta-feira o da Paz, enquanto os da Economia (dia 10) e da Literatura (dia 13) serão atribuídos na próxima semana.

Os prémios Nobel, criados em 1895 pelo químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (inventor da dinamite), foram atribuídos pela primeira vez em 1901.