Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Embaixadora do Reino Unido garante: “Brexit means Brexit”

  • 333

Para a embaixadora Kirsty Hayes, a “liberdade de comércio é muito importante, não só para o Reino Unido, mas também para os outros”, e dois anos é “pouco tempo para o negociar”

Luís Barra

A saída do Reino Unido da União Europeia foi o tema de um novo Expresso do Meio-Dia, esta terça-feira com a residência oficial da embaixadora do Reino Unido como pano de fundo. A liberdade de circulação e o mercado único mereceram destaque

"Brexit means Brexit." Cunhada pela primeira-ministra britânica Theresa May, a frase que traduzida para português significa "Brexit significa Brexit" foi repetida esta manhã pela embaixadora do Reino Unido em Portugal, para indicar que, efetivamente, "não se pode voltar atrás." Kirsty Hayes não esconde, contudo, algum "otimismo" na obtenção de um acordo que benefície os dois.

Foi um dos momentos fortes do Expresso do Meio-Dia dedicado a um evento de consequências ainda imprevisíveis, o referendo no qual os britânicos optaram pela saída da União Europeia e o famoso artigo 50 do Tratado de Lisboa. Intitulado "Brexit: 100 dias depois, as perspetivas e o impacto financeiro" , o painel juntou figuras da indústria e da finança para debater o que podemos esperar deste processo.

Luís Barra

Na residência da embaixadora do Reino Unido em Portugal nenhum dos temas mais quentes deixou de ser abordado nas intervenções que decorreram ao longo da manhã. No primeiro de dois debates moderados por Pedro Santos Guerreiro, diretor do Expresso, a embaixadora admitiu que "há a possibilidade de haver hostilidade" sem deixar de manifestar a vontade de que prevaleça "um elemento de boa vontade." Para Kirsty Hayes, a "liberdade de comércio é muito importante, não só para o Reino Unido, mas também para os outros" e, dois anos, é "pouco tempo para o negociar." Um resultado que vai ser "difícil de assegurar."

Pedro Oliveira, CEO da BP Portugal, não escondeu a desilusão perante o Brexit, garantiu que a multinacional não ajustou "nada em função da decisão" e deixou a promessa de haver um "reforço de investimento na Europa" sem "nenhum receio." Quanto à livre circulação de pessoas, desafiou a audiência com uma questão que pode ainda ser relevante: "Como enquadrar fiscalmente os colaboradores em diferentes pontos da Europa a trabalhar para a mesma entidade central"? A resposta virá um dia.

Já o CEO da SEMAPA, João Castello Branco, acredita que se "a discussão azeda" ao ponto de entrarmos numa dinâmica de recriminação e menos liberdade, "é uma desgraça." Idealmente, "queria que, do ponto de vista económico, as coisas mudassem o menos possível."

Luís Barra

A tensão que atualmente se vive nas relações económicas foi reconhecida no arranque dos painéis pelo chairman da Linklaters Global Competition Practice, Sir Christopher Bellamy, ao avisar que continuar a "extremar posições" é meio-caminho andado para que haja "um acordo prejudicial para a Europa." É que, na sua opinião, "os negócios de Londres não vão para Frankfurt, mas sim Nova Iorque ou Singapura."

O acesso a Londres, a maior praça financeira em território europeu, foi o prato principal do segundo debate da manhã. Palavra muito ouvida ao longo da sessão foi "bom senso", algo que Pedro Siza Vieira, head of banking da Linklaters Portugal, afirma "não ter imperado na Europa dos últimos tempos" e que fará falta para que este "período de transição corra da melhor forma."

A preparação não escapou ao country manager português da Barclays, Rogério Alexandre, que revelou "os planos de contingência designados" para qualquer que fosse o resultado. Importa que o cliente "não sinta quebras no serviço". Mas uma coisa é certa: "Não podemos só apagar o botão e sair. É muito mais complicado do que isso."