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Internacional

Ataque a Kim Kardashian provoca inquietação e polémica em Paris

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A entrada da residência onde Kim Kardashian foi assaltada, na Rua Tronchet, junto à Madeleine

THOMAS SAMSON/ Getty Images

“Só nos faltava isto”, declarou o patrão de um hotel parisiense, depois da agressão e roubo de 10 milhões em joias à vedeta americana. A hotelaria e os restaurantes parisienses anunciam perdas de entre 20 e 30 por cento do volume de negócios desde a vaga de atentados em França

Depois da vaga de atentados, de regulares manifestações violentas e das queixas frequentes de turistas, designadamente asiáticos, contra roubos e assaltos em Paris, o caso da agressão na madrugada desta segunda-feira da vedeta americana, Kim Kardashian, é um novo e duro golpe contra Paris, um dos destinos turísticos mais procurados do mundo.

“Só nos faltava isto”, declarou o patrão de um grande hotel parisiense, realçando as reações negativas em cadeia que o assalto provocou em todo o mundo e sobretudo nos Estados Unidos. A vedeta foi assaltada quando dormia num luxuoso e discreto “hotel particular” (Hotel de Pourtalés) numa das zonas mais chiques de Paris, no quarteirão de La Madeleine-Opéra (perto da praça da Concórdia). Este hotel é, no fundo, uma residência de grande requinte. Tem apenas nove vastos apartamentos e até é conhecido também pelo nome de “No Adress Paris” precisamente por ser dos mais recatados e menos conhecidos da cidade.

Dois dos cinco assaltantes, disfarçados de agentes policiais, conseguiram entrar no quarto da vítima, ataram-na na casa de banho, ameaçaram-na com uma pistola e roubaram-lhe joias, segundo diversas fontes, com valor avaliado entre oito e dez milhões de euros.

O assalto relançou de imediato o debate sobre as grandes dificuldades que conhece atualmente o turismo em França. Alguns agentes turísticos e profissionais da hotelaria alertam para a falta de segurança na capital francesa e pedem mesmo a criação de uma unidade policial especializada para a proteção de turistas.

A inquietação é grande no setor porque a União da Indústria Hoteleira indica que o volume de negócios dos hotéis parisienses caiu, desde 2015, com os atentados, 20 por cento e o dos restaurantes entre 25 e 30 por cento.

O ataque a Kardashian, que terá receado que a iam matar (teve uma pistola apontada à cabeça), foi violento e ela terá gritado “não me matem, tenho dois filhos” (um de três anos e outro de dez meses). De acordo com o porta-voz da estrela - ela partiu para os Estados Unidos na segunda-feira – Kim “ficou muito traumatizada mas não apresenta ferimentos físicos”.

Kim Kardashian estava em Paris para assistir à Fashion Week, altura em que os principais hotéis da cidade estão repletos, mas o caso provoca polémicas e inquietações também em França. “Depois deste caso não sei como vai ser em outubro nem o que vai acontecer no inverno, estamos inquietos”, declarou François Delahaye, diretor geral do Plaza Athénée, um dos mais conhecidos hotéis de luxo da zona dos Campos Elísios.

Os assaltantes tinham preparado bem a operação porque o guarda-costas habitual da vedeta não estava no hotel – protegia na altura as duas irmãs de Kardashian que tinham saído para se divertir numa discoteca parisiense.

A notoriedade de Kim Kardashian deu grande relevo ao caso em termos internacionais e provocou celeuma igualmente em França. A candidata às presidenciais, Natahalie Kosciusko-Morizet (direita moderada), disse haver “uma urgência geral sobre a segurança em Paris”. Anne Hidalgo, presidente da Câmara parisiense contestou as acusações sublinhando que este tipo de caso “é muito raro”. Mas Jean-Bernard Falco, patrão do pequeno grupo hoteleiro Inn pediu “uma medida forte, a criação por exemplo de uma brigada de segurança turística”.