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A criança de sete anos que relata a tragédia em Alepo. “Ainda estou viva”

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“Olá. Sou a Bana, uma menina de sete anos em Alepo. Eu e a minha mãe queremos contar-vos mais sobre os bombardeamentos. Obrigada.” Vive com os irmãos mais novos e o jardim da casa transformou-se num monte de ruínas. Quer ler e desenhar em sossego. E questiona-se: “Porque é que o mundo não nos ouve?”. A Síria está em guerra civil - só na semana passada, segundo a UNICEF, 96 crianças morreram e 233 ficaram feridas devido aos bombardeamentos em Alepo

Aos sete anos, Bana Alabed deixou de ir à escola porque o edifício foi destruído. As outras ficam demasiado longe e é muito perigoso deslocar-se devido aos bombardeamentos. Bana vivem em Alepo, na Síria, com os dois irmãos mais novos, Mohamed e Noor (cinco e três anos, respetivamente) e com os pais. Com recurso a um vocabulário simples em inglês, mãe e filha relatam o medo.

Numa conta no Twitter, cujas publicações começaram a 24 de setembro, a menina publica apelos à paz, pede à Bashar al-Assad, Vladimir Putin e a Barack Obama para que parem os bombardeamentos na cidade síria. Quase todos os dias, Bana escreve: “Ainda estou viva”. Mas um dia pode não estar.

“A Bana perguntou-me porque é que o mundo não nos ouve. Porque é que ninguém nos ajuda”, explica a mãe Fatemah, citada pelo jornal britânico “The Guardian”, quando questionada sobre a razão pela qual recorreram à rede social.

A mãe é professora de inglês e o pai advogado. Bana quer ser como a mãe e ensinar inglês a outras crianças. Há quase um ano que não vai à escola e quer voltar. Quer reencontrar os amigos e aprender matérias novas.

Fatemah já foi acusada de estar a gerir uma conta falsa e de usar as crianças para fazer propaganda política, escreve a BBC. A mulher garante que “todas as palavras [que escreve] são sentidas e verdadeiras” e que não está associada a organizações humanitárias ou a órgãos de comunicação social.

A família é o retrato de tantas outras que vivem numa cidade dividida e palco dos confrontos entre as forças rebeldes e as governamentais. Falta comida, água e medicamentos. A eletricidade é pouca e o serviço de internet é escasso.

O silêncio da noite deu lugar aos ruídos constantes de aviões e bombas a explodir. “Bombardeiam sem misericórdia. Não somos terroristas. Não somos o Daesh. Aqui somos todos inocentes”, descreveu.

Só na semana passada, segundo a UNICEF, 96 crianças morreram e 233 ficaram feridas devido aos bombardeamentos em Alepo. “Dezenas de milhares de crianças bebem água suja porque uma estação de tratamento foi bombardeada e outra encerrada. Os médicos são obrigados a deixar crianças morrer para conseguirem salvar outras com escassos recursos médicos”, disse Anthony Lake, chefe executivo da UNICEF, em comunicado. “O mundo está a ver os horrores a desenrolarem-se. Todos os dias continuam… e estão a piorar”, acrescentou.