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385 milhões de crianças vivem em pobreza extrema

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MAHMUD HAMS/GETTY IMAGES

O número representa praticamente um quinto do total das crianças dos países em desenvolvimento, sendo a situação particularmente grave na África subsariana e no Sul da Ásia, conclui um relatório do Grupo Banco Mundial e da Unicef

Quase 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema, concluiu o relatório do Grupo Banco Mundial e da Unicef “Ending Extreme Poverty: A Focus on Children”. Apresentado na segunda-feira, o documento mostra que, em 2013, uma percentagem de 19,5% das crianças dos países em desenvolvimento (praticamente um quinto) pertenciam a agregados familiares que sobreviviam com um rendimento diário igual ou inferior a 1,90 dólares (cerca de 1,70 euros).

O estudo salienta que, em comparação com os adultos, as crianças têm duas vezes mais probabilidades de viver nesta condição de pobreza.

“Não só têm maior probabilidade de viver na pobreza extrema como os efeitos desta lhe causam maiores danos. Elas são as mais prejudicadas entre os mais prejudicados, em especial as crianças mais pequenas porque as privações a que são sujeitas afetam o seu desenvolvimento físico e intelectual”, alertou Anthony Lake, diretor executivo da UNICEF.

Baseado em dados de 89 países, que representam 83% da população dos países em desenvolvimento, o relatório especifica que a África subsariana é a região com maior percentagem de crianças a viver na pobreza, ligeiramente abaixo de 50%, ou na pobreza extrema: mais de 50%. Em segundo lugar aparece o Sul da Ásia (35%), com dados especialmente preocupantes na Índia.

Tamanha pobreza “não limita apenas os seus futuros, como se repercute negativamente nas suas sociedades”, aponta Anthony Lake.

Retrato tão pesado exige, segundo o Grupo Banco Mundial e a Unicef, que os governos mundiais “dêem prioridade às crianças nos seus planos nacionais de redução da pobreza” e que “reforcem os sistemas de proteção social com impacto nas crianças, incluindo programas de transferências em dinheiro que direta ou indiretamente ajudam as famílias mais pobres a pagar alimentação, cuidados de saúde, educação e outros serviços”.

Quebrar o ciclo de pobreza deve ser o objetivo primordial, alertam, “moldando as decisões políticas”. O estudo deixa ainda o apelo para que seja dada prioridade “a investimentos na educação, saúde, água potável, saneamento e infraestruturas que beneficiem as crianças mais pobres, bem como noutras áreas que evitam que as pessoas voltem a cair na pobreza na sequência de secas, doenças ou instabilidade económica”.