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PT perde mais de metade das autarquias do Brasil

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O partido de Lula da Silva registou um dos piores resultados eleitorais dos últimos anos

RICARDO NOGUEIRA/EPA

De 635 câmaras conquistadas em 2012, o PT ficou apenas com 256 na primeira volta das autárquicas, realizada ontem. Principais beneficiados foram o PSDB e o PMDB, os autores da destituição de Dilma

Além do desgaste de quase 14 anos de poder, a operação Lava Jato e os sucessivos escândalos de corrupção que envolveram muitos responsáveis do PT - e que até salpicaram Lula da Silva - explicam a maior derrota eleitoral dos últimos anos. Um desgaste agravado pela destituição de Dilma Roussef a 31 de agosto e que atingiu também o seus aliados à esquerda. Num total de 26 capitais regionais, o PT ganhou apenas em Rio Branco (Acre) e foi reduzido à sua expressão mínima nas principais cidades do país. Um cenário completamente distinto do de há quatro ano , quando a corrida eleitoral nos grandes centros urbanos se polarizou entre PT e PSDB.
A derrota de Fernando Haddad em São Paulo, a maior cidade do Brasil, é talvez a mais sintomática no novo xadrez que emerge desta primeira ronda eleitoral após a destituição de Dilma Roussef a 31 de agosto.
Haddad foi derrotado por João Dória, um empresário sem experiência política e apoiado pelo atual governador do Estado, Geraldo Alckmim, do PSDB. Doria obteve 53,29% dos votos e impediu a reeleição de Haddad (considerado por muitos analistas o menos PT dos autarcas do PT) e, pela primeira vez em 24 anos, não haverá segunda volta nas municipais em São Paulo. Para muitos analistas, a vitória de Doria põe fim à disputa interna dentro do próprio PSDB em matéria de concorrentes às presidenciais de 2018. Até agora, as duas principais fações para futuras candidaturas dos “tucanos” -(nome pelo qual são conhecidos os membros do PSDB)- eram Aécio Neves, o candidato derrotado por Dilma nas últimas presidenciais; e o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, José Serra, derrotado por Haddad nas últimas autárquicas. Ora, a vitória dos candidatos apoiados por Alckmin não só em São Paulo como em todo o Estado, dão ao atual governador paulista o capital mais do que necessário para ser o candidato escolhido pelo PSDB.

PMDB perde no Rio e São Paulo
A vitória indireta de Alckmin tem também o seu reflexo no próprio PMDB, que ficou de fora de uma segunda volta não só em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Os principais aliados políticos do presidente brasileiro, Aécio Neves e José Serra, saíram fragilizados desta primeira volta. Sobretudo Serra, que à revelia do PSDB, apoiu a candidata do PMDB, Marta Suplicy.
Por outro lado, muitos observadores chamam atenção para o crescimento dos votos em branco e da abstenção nas principais cidades brasileiras, sintoma de desgaste provocado pela crise. No Rio de Janeiro, 18% dos eleitores votaram em branco ou anularam. Em São Paulo, o número de votos nulos e brancos atingiu 16%, quase o resultado de Fernando Haddad, um crescimento de quase 30% em relação às eleições de 2012, por exemplo.
São 55 as cidades onde vai decorrer uma segunda volta das eleições municipais marcadas para 30 de outubro, revelou “O Globo”. Deste total, 18 cidades são capitais estaduais.