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Pedro Sánchez demite-se de secretário-geral do PSOE

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ANDREA COMAS/REUTERS

Os socialistas espanhóis reuniram este sábado para apreciar a proposta de Pedro Sánchez para fazer um congresso extraordinário em novembro. A maioria recusou e o dirigente decidiu afastar-se do cargo

Pedro Sánchez apresentou este sábado a sua demissão de secretário-geral do PSOE depois da sua proposta para realizar um congresso extraordinário do partido em novembro ter sido recusada pela maioria de membros do comité federal reunido em Madrid.

“Para mim foi um orgulho e apresento a minha demissão. Foi uma honra”, disse, citado por vários membros do comité federal, o orgão socialista mais importante entre congressos.

A decisão surgiu depois de uma reunião muito tensa que começou às 09h00 (08h00 de Lisboa) e se prolongou por mais de 11 horas. Nesse encontro, Pedro Sánchez - que estava há dois anos à frente do PSOE - não resistiu às críticas dos vários “barões” do partido e acabou por se demitir.

É que, apesar de também serem a favor da convocação de um congresso, queriam que ele fosse ordinário, ou seja, apenas para depois da formação de um novo Governo em Espanha.

Agora, esses mesmos críticos impuserem a criação de uma comissão de gestão para dirigir o partido até à escolha de um novo secretário-geral.

“O PP ganhou

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, lamentou a demissão de Pedro Sánchez. Aliás, considerou mesmo que se impuseram no partido aqueles que pretendem dar o governo ao PP.

“Impuseram-se no PSOE os apoiantes em dar o governo ao PP. Face ao governo da corrupção, nós continuaremos com [as pessoas] e pelas pessoas”, afirmou citado pela EFE.

A mesma opinião é partilhada pelo líder da Esquerda Unida, Alberto Garzón, que considerou que com a demissão do secretário-geral do PSOE, o PP “ganhou”. Uma afirmação feita na sua conta da rede social 'twitter' pouco depois do anúncio de Sánchez. “O PP ganhou a votação na rua Ferraz”, escreveu Garzón.

E também o líder do PSC, Miquel Iceta, disse que a demissão do dirigente “impede a procura de uma maioria alternativa ao PP”. Contudo, considerou inevitável a decisão.

“A demissão de Sánchez era inevitável, mas impossibilita a procura de uma maioria alternativa ao PP. Agradeço uma vez mais a sua valentia”, afirmou, classificando de “decisão errada” a rejeição do comité federal à realização de um congresso extraordinário.

E agora Espanha?

A decisão de Pedro Sánchez surge no momento em que Espanha continua sem governo e sem que os vários partidos cheguem a um acordo para formar esse mesmo governo.

A grande questão agora é saber se a demissão de Sánchez vai ter como consequência a abstenção do PSOE a um Governo do PP (Partido Popular, de direita), o que evitaria a marcação de eleições legislativas.

Esse passo terá de ser dado até 31 de outubro, caso contrário o rei Felipe VI terá de dissolver o parlamento nacional e convocar novas eleições.

A acontecer, serão as terceiras eleições legislativas que se realizam no espaço de um ano, depois de na primeira consulta, em 20 de dezembro de 2015, e na segunda, em 26 de junho deste ano, as quatro principais forças políticas espanholas (PP, PSOE, Unidos Podemos e Ciudadanos) não terem conseguido chegar a um acordo para formar um Governo estável em Espanha.

Schulz comenta

A demissão de Pedro Sánchez também teve efeitos em Bruxelas. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, afirmou este sábado que Espanha e a União Europeia "necessitam de um PSOE forte e unido".

"O meu agradecimento a Pedro Sánchez pelo seu trabalho e compromisso com a Europa e com os progressistas. Espanha e a União Europeia necessitam de um PSOE [Partido Socialista Operário Espanhol] forte e unido", disse Schulz na sua conta pessoal na rede social Twitter.