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Maior hospital da zona leste de Alepo volta a ser bombardeado

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KARAM AL-MASRI/GETTY IMAGES

Sociedade Médica Sírio-Americana denuncia o uso de bombas de fragmentação e bombas-barril, que têm sido usadas de forma intensiva pelo regime sírio de Bashar al-Assad

Helena Bento

Jornalista

O maior hospital da zona controlada pela oposição em Alepo, no leste da cidade síria, foi atingido durante um ataque com recurso a bombas-barril e bombas de fragmentação, denunciou este sábado a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS, na sigla em inglês), citada pelos meios de comunicação internacionais.

É a segunda vez que este hospital, identificado pelo designação M10 (de acordo com um código comum a todos os hospitais da região, usado de modo a que não seja revelada a verdadeira localização dos edifícios) é atacado esta semana, depois de na quinta-feira passada, 29 de setembro, ter sido atingido durante um bombardeamento que obrigou à suspensão total dos serviços. O ataque, que também deixou outro hospital da zona quase totalmente destruído, foi descrito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, como um “crime de guerra”, tendo resultado, ainda, na morte de dois médicos e um civil. “É pior do que um matadouro. Os que usam armas com poder cada vez mais destrutivo sabem exatamente o que fazem: cometem crimes de guerra”, afirmou Ban Ki-moon, lembrando que o direito internacional obriga à proteção do pessoal e instalações médicas durante os conflitos.

As bombas-barril, pelo seu grande poder de destruição – são barris de petróleo ou de combustível apetrechados de explosivos ou fragmentos de metais, para causarem ainda mais danos – nunca deveriam ser usadas perto de civis. A Amnistia Internacional tem alertado para isso. O regime sírio, porém, tem-nas usado intensivamente nos últimos anos. As bombas de fragmentação são igualmente mortíferas - rebentam no ar e libertam uma série de explosivos que se espalham em todas as direções, matando de forma indiscriminada, o que as torna muito mais letais do que outras.

De acordo com a Sociedade Médica Sírio-Americana, organização não-governamental e sem fins lucrativos que representa milhares de médicos que prestam cuidados de saúde a cidadãos sírios em zonas afetadas por conflitos, neste momento há apenas seis hospitais operacionais na zona este de Alepo.

A ofensiva lançada recentemente na região pelo regime sírio, que tem sido apoiado pela força aérea russa e por milícias xiitas estrangeiras financiadas pelo Irão e pelo Hezbollah xiita libanês, é considerada a maior e mais violenta desde que a guerra civil estalou no país, opondo, desde então, o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad aos rebeldes das forças da oposição. Ambos lutam, neste momento, pelo controlo de Alepo, uma das maiores cidades da Síria e antigo centro financeiro do país.

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    Os dois maiores hospitais ainda em funcionamento na cidade síria cercada pelo regime ficaram quase totalmente destruídos em novos ataques das forças de Assad, parte da ofensiva que já provocou quase 400 mortos desde sexta-feira, incluindo pelo menos 96 crianças. Medicamentos e equipamentos médicos estão a escassear, bem como comida e água. Médicos que resistem na cidade dizem que a campanha do regime “não tem precedentes na História moderna”

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    São carpinteiros, padeiros, professores, engenheiros, farmacêuticos, estudantes, gente normal - na verdade já não são gente normal, porque é impossível ser normal quando tudo é anormal. O país deles está desfeito. Eles também. Síria e sírios são país e gente esquecida, o socorro é prestado pelas pessoas mais improváveis - que estão nomeadas para o Nobel da Paz, embora algumas já não estejam vivas. Mundo, onde andas?