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Pedro Sánchez ameaça demitir-se se PSOE permitir um Governo de Rajoy

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ANDREA COMAS/REUTERS

Para o secretário-geral socialista é necessário decidir entre a criação de uma comissão de gestão do PSOE, como defendem os críticos à sua liderança que, segundo ele, querem que o partido se abstenha, ou manter o “não” a Rajoy defendido por Sánchez

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, apelou esta sexta-feira aos membros do comité federal para manterem o "não" a uma investidura de Mariano Rajoy, sugerindo que poderá afastar-se se o partido permitir um Governo do PP.

"Se o comité federal [que se reúne no sábado em Madrid] decidir passar à abstenção, obviamente não posso administrar essa decisão", disse Pedro Sánchez que tem defendido firmemente que o PSOE não permita, através da sua abstenção, uma investidura de Mariano Rajoy, líder do PP (Partido Popular, de direita).

Os socialistas espanhóis, a atravessar uma profunda crise interna, vão reunir no sábado o seu o órgão mais importante entre congressos num ambiente explosivo, depois de um grupo significativo de dirigentes terem defendido o afastamento do secretário-geral.

Pedro Sánchez pretende que o "comité federal" do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) marque para 23 de outubro as primárias para escolher um novo líder do partido e convoque para 12 e 13 de novembro um congresso extraordinário.

A intenção de Pedro Sánchez de realizar rapidamente um congresso (extraordinário) choca com a estratégia do setor crítico da direção socialista que também quer a convocação de um congresso (ordinário), mas apenas para depois da formação de um novo Governo em Espanha.

Este grupo liderado por alguns "barões" regionais defende que Sánchez já devia ter abandonado o lugar de secretário-geral depois da demissão da maioria dos membros da "comissão executiva" do partido na última quarta-feira, o que devia, segundo eles, ter precipitado a queda de toda a direção.

Os críticos querem nomear uma "comissão de gestão" que oriente o PSOE até à realização do congresso ordinário.

Um congresso extraordinário apenas pode decidir sobre a composição dos órgãos de direção do PSOE, enquanto o ordinário também toma decisões sobre a estratégia política para os próximos anos.

O comité federal é o orgão máximo do partido e reúne cerca de 300 delegados em representação de todos os secretariados-gerais regionais e outros organismos do PSOE.

Os restantes partidos políticos espanhóis esperam pela definição dentro do PSOE para poderem continuar a trabalhar na busca de uma solução para o atual impasse na escolha de um novo Governo em Espanha que evite a convocação de novas eleições.

O PP, que ganhou as eleições de 26 de junho com uma maioria relativa não conseguiu formar Governo, depois de o seu líder, Mariano Rajoy, se ter apresentado à investidura e sido chumbado por uma maioria de deputados.

O PSOE tem vivido uma crise interna, que agora se agravou, depois de ter visto diminuir a sua base de apoio nas últimas eleições e de ter impedido o PP de formar Governo sem ter conseguido apresentar uma alternativa viável.

Se o impasse político em Madrid não for debloqueado até 31 de outubro, o rei Felipe VI terá de dissolver o parlamento nacional e convocar novas eleições, as terceiras no espaço de um ano.