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Bombardeamentos russos fizeram 9300 mortos na Síria, Alepo está perante uma catástrofe humanitária sem precedentes

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ABDALRHMAN ISMAIL / REUTERS

“A Síria está a sangrar, os seus cidadãos a morrer. Nós todos ouvimos o grito por ajuda”, afirmou o responsável da ONU para assuntos humanitários

Mais de 9300 pessoas, incluindo 3800 civis, morreram em ataques da aviação russa na Síria desde o início da intervenção de Moscovo há um ano, revelou esta sexta-feira o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

A organização especifica que desde 30 de dezembro de 2015 os ataques da aviação russa fizeram 9364 mortos, entre os quais 3804 civis, 2746 combatentes do Daesh e 2814 membros de diferente grupos rebeldes que combatem o regíme sírio do presidente Bashar al-Assad.

Neste momento, a situação é particulamente grave em Alepo. Os bombardeamentos à zona este da cidade causaram nas últimas semanas 338 mortos, 106 dos quais crianças, e 846 feridos, entre os quais 261 crianças, segundo números divulgados esta sexta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Nós estamos a pedir quatro coisas: que parem de matar pessoas, que parem os ataques à assistência médica, que deixem os doentes e feridos saírem e o auxílio entrar”, afirmou Rick Brennan, diretor do departamento de Resposta Humanitária e Gestão de Riscos da OMS.

“Estão a chover bombas lançadas de aviões da coligação liderada pela Síria e Alepo tornou-se uma gigantesca caixa de morte. O regime sírio tem de parar os bombardeamentos indiscriminados; e a Rússia, como aliado político e militar indispensável da Síria, tem a responsabilidade de exercer pressão para parar isto”, declarou Xisco Villalonga, diretor de operações dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Stephen O'Brien, subsecretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU) para os assuntos humanitários, declarou quinta-feira ao Conselho de Segurança da organização que a atual situação em Alepo corresponde a “uma catástrofe humanitária não comparável a qualquer outra que tenhamos testemunhado na Síria”.

Mais de 100 mil crianças estão encurraladas na zona este da cidade controlada pelos rebeldes, que se tornou alvo de intensos bombardeamentos, após o exército sírio ter anunciado a 22 de setembro uma ofensiva para reconquistar a cidade.

Os MSF frisaram que a situação já era crítica antes da nova ofensiva e que entretanto se agravou. “Em abril, quando (o hospital de) Al Quds foi bombardeado, foi a pior ofensiva até àquela data, no entanto os limites inimagináveis foram ultrapassados desde então e se esta intensidade de bombardeamentos continuar, poderá não haver um único hospital de pé dentro de dias”, afirmou Villalonga, indicando que desde abril todos os hospitais de Alepo Este foram atingidos por bombardeamentos.

“Todas as nossas unidades de cuidados intensivos estão cheias. Pacientes têm de esperar que outros morram para que eles possam ser mudados para camas disponíveis nos cuidados intensivos”, disse, por seu turno, o médico Abu Wassem, responsável de um hospital dos MSF na zona afetada.