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Duas ou três coisas sobre a cura “milagrosa” para a queda do cabelo

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Foi apresentado como uma grande descoberta, talvez a maior dos últimos anos, mas isso é porque (ainda) não sabemos tudo sobre este novo medicamento. É verdade que pode ajudar a tratar a queda de cabelo, mas aquela que é provocada por uma doença rara, não a conhecida calvície que afeta milhões e milhões de pessoas em todo o mundo

A notícia, divulgada no início desta semana, de que um grupo de investigadores do Columbia University Medical Center, em Nova Iorque, tinha descoberto a “cura milagrosa” para a queda de cabelo, foi recebida com grande entusiasmo, mas o acontecimento, por mais inédito e espectacular que seja, exige calma e prudência. É precisamente a isso que o jornal britânico “The Guardian” parece apelar, ao ter publicado um artigo que pretende esclarecer, e ao mesmo tempo desmistificar, algumas questões essenciais sobre este novo medicamento para a queda de cabelo.

Uma delas, e a que mais importa aqui, é que o medicamento, designado por Ruxolitinib, ou Jakavi (nome comercial), foi testado como tratamento para a alopecia areata e não para a alopecia androgénica. Confuso, não é? Também para nós, que fizemos a devida pesquisa para podermos, agora, converter estes termos demasiado técnicos em linguagem comum.

A alopecia areata é uma doença autoimune que se manifesta através da perda de cabelo ou pêlo do corpo em áreas localizadas, resultando nas chamadas “peladas”. Pode afetar pessoas de todas as idades, sendo, no entanto, mais comum entre os 15 e os 29 anos, associada a outras doenças autoimunes, como o hipertiroidismo, diabetes ou síndrome de Down.

No Reino Unido, por exemplo, afeta entre uma a duas pessoas em cada mil. Na maior parte dos casos, o cabelo ou o pêlo voltam a crescer, atingindo o tamanho normal. Noutros casos, considerados mais graves, pode verificar-se uma queda total.

A alopecia androgénica, por outro lado, resulta de uma combinação de fatores genéticos e hormonais. Comummente designada por “calvície masculina” e, no caso das mulheres, “calvície feminina”, afeta cerca de 50% dos homens com idades acima dos 50, e 50% das mulheres com mais de 65 anos. Neste tipo de alopecia, a dihidrotestosterona (subproduto da testosterona) encurta a fase anagénica (crescimento) dos cabelos geneticamente sensíveis, fazendo com que estes, a cada ciclo, se tornem mais finos, curtos e mais claros, podendo inclusive não voltar a nascer.

Os testes elaborados pelo grupo de investigadores do Columbia University Medical Center revelam que três quartos dos pacientes que foram tratados com o novo medicamento - 9 de um total de 12, portanto - recuperaram o seu cabelo quase na totalidade. Mas isso, se é razão para celebrar, deve, mais uma vez, ser encarado com algumas reservas. É que são ainda desconhecidos os efeitos do medicamento noutras pessoas, menos conhecidos são ainda os seus efeitos secundários, seja nas 12 pessoas testadas, sejam em todas as outras que sofrem desta doença.