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“Uma desgraça”: oposição búlgara critica troca de candidata

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EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images

A candidatura de Kristalina Georgieva dividiu o país. Se os apoiantes do Governo de Boiko Borisov garantem que é a melhor pessoa para liderar a ONU, socialistas e centristas consideram que a decisão só prejudica a possibilidade de uma búlgara ser escolhida para secretária-geral. Continuam a preferir Irina Bokova, que não desistiu da corrida

O Partido Socialista búlgaro considerou esta quarta-feira uma “desgraça” a decisão do Governo de Sófia de transferir o seu apoio de Irina Bokova para Kristalina Georgieva na corrida a secretária-geral das Nações Unidas, escreve a edição digital do “Sofia Globe”. O Executivo de Boiko Borisov decidiu abandoar o apoio à diretora da Unesco e apostar em Georgieva, vice-presidente da Comissão Europeia, na sequência dos maus resultados de Bokova na primeira fase de votações indicativas do Conselho de Segurança.

A Bulgária anunciara, antes da última votação do Conselho de Segurança, realizada esta segunda-feira, que poderia retirar o apoio a Bokova, caso a candidata não figurasse em primeiro ou segundo lugar. Afinal, Bokova piorou o seu resultado: obteve sete votos favoráveis e seis desfavoráveis, além de dois neutros.

A líder do PS búlgaro, Kornelia Ninova, disse hoje que a mudança do apoio de Borisov é “inaceitável e inconsistente” e acusou o primeiro-ministro de nunca ter estado empenhado a sério na candidatura de Bokova. Esta exerce o segundo mandato à frente da Unesco, mas foi sempre uma candidata incómoda para a coligação de centro-direita que governa a Bulgária, devido ao seu passado comunista e trajeto político até ao Partido Socialista (PS) búlgaro, pelo qual chegou a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros nos anos 90.

Para os socialistas, a reviravolta revela que o Governo búlgaro sucumbiu à influência externa em detrimento dos interesses nacionais, prossegue o “Sofia Globe”. O partido exige que Borisov vá ao Parlamento explicar a sua manobra. “É uma vergonha para a Bulgaria. Borisov mostra mais uma vez que é demasiado fraco para defender o interesse nacional”, critica Ninova, para quem “a possibilidade de termos um búlgaro a ocupar o cargo mais alto da ONU está a ser minada”.

Bokova não desistiu

“Aconteça o que acontecer, neste momento a Bulgária é, na prática, motivo de chacota na ONU e em toda a comunidade internacional”, reforçou o também socialista Kristian Vigenin. Considera que o povo búlgaro deve continuar a apoiar Bokova, que, até agora, não desistiu da candidatura.

Também o partido Alternativa para o Renascimento Búlgaro (ABV, social-democrata), criado pelo antigo Presidente Georgi Parvanov (ex-socialista) considerou o anúncio de Borisov “dececionante”, pela voz da deputada Mariana Todorova. O ABV é um dos dois partidos mais pequenos representados na Assembleia Nacional, em Sófia. “Pensamos que a soberania da Bulgária e do Governo búlgaro estão em causa porque [esta decisão] foi, obviamente, influenciada por muitos fatores externos”, afirmou Todorova, citada pelo mesmo órgão búlgaro. A deputada considerou que Georgieva “não tem hipóteses” e que isso foi “confirmado repetidamente por muitos analistas”.

Gemma Grozdanova, deputada do partido do primeiro-ministro, Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB, direita populista), manifestou, em contrapartida, concordância com a decisão, considerando que irá aumentar as possibilidades de êxito de uma candidatura búlgara ao cargo máximo das Nações Unidas. “É uma coisa muito importante para a Bulgária, portanto olhemos para isso de forma positiva”, afirmou Grozdanova.

Centristas búlgaros também rejeitam Georgieva

Mustafa Karadaya, líder do Movimento para os Direitos e Liberdades (MDL, centro liberal), o terceiro maior partido no parlamento búlgaro, considerou que “enquanto Estado, a Bulgária já fez muito para comprometer o sucesso nesta corrida. Vemos a decisão de hoje como mais uma que prejudica a imagem do país e em nada contribui para o sucesso na candidatura”.

Dimitar Delchev, deputado do Bloco Reformista, coligação de centro-direita que apoia o Governo, afirmou que Georgieva, enquanto candidata de centro-direita, europeia de Leste e membro da Comissão Europeia, é “uma boa candidata”. “Acreditamos que a liderança das Nações Unidas deve ser assumida por uma pessoa com um pensamento de centro-direita, tal como as pessoas que dirigem o Conselho da Europa e a Comissão Europeia”, afirmou Delchev.