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“Foi com a sua inata humanidade, a sua decência, que Shimon inspirou o mundo inteiro”

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Em 2012, Barack Obama concedeu a Shimon Peres a Medalha Presidencial da Liberdade

JASON REED/REUTERS

Líderes políticos do mundo inteiro prestam homenagem a Shimon Peres, que morreu esta quarta-feira. Tinha 93 anos

“Não imagino, esta noite, um melhor tributo à sua vida do que renovar o nosso compromisso com a paz, que ele acreditava ser possível”, assim reagiu o Presidente norte-americano Barack Obama, em comunicado, à notícia da morte do ex-Presidente israelita Shimon Peres, um estadista que representava, segundo Obama, a “essência” do seu país.

Em 2012, Obama concedeu a Peres a Medalha Presidencial da Liberdade, considerada a maior condecoração civil dos Estados Unidos. “Como norte-americanos estamos em dívida para com ele porque (...) durante estes anos ninguém fez mais para construir uma aliança entre os nossos países, uma aliança inabalável, que hoje está mais perto e mais forte do nunca”, sublinha.

Obama recorda ainda que, em diferentes cargos, ao longo da sua carreira política, Peres trabalhou com todos os Presidentes dos Estados Unidos desde John F. Kennedy (1961-1963).

Antigos Presidentes norte-americanos também já reagiram à morte do Nobel da Paz. Bill Clinton (1993-2001), num comunicado também assinado pela sua mulher Hillary, atualmente candidata à Casa Branca, lamenta que o Médio Oriente tenha perdido "um fervoroso defensor da paz e da reconciliação".

George H. W. Bush (1989-1993), por seu lado, destaca, também num comunicado, que Peres ajudou, numa ou outra vez, a guiar Israel por caminhos cheios de “desafios mortais”, apesar de também recordar a sua dedicação “à nobre causa da paz”.

“Foi com a sua inata humanidade, a sua decência, que Shimon inspirou o mundo inteiro e ajudou a pavimentar um caminho rumo à paz suficientemente amplo para que futuras gerações caminhem juntas um dia”, aponta Bush.

O Presidente da Alemanha Joachim Gauck recorda por seu lado a “forte vontade” de Peres. “Gostaria de vos manifestar, assim como ao povo israelita (...), as minhas profundas condolências”, escreve o Presidente alemão numa carta endereçada ao seu homólogo israelita Reuven Rivlin.

“Shimon Peres marcou Israel como nenhum outro político. Serviu o seu país em diferentes funções – com sólidos princípios como a segurança de Israel, e uma vontade forte de fazer avançar os processos de paz com os palestinianos”, sublinha Gauck.

Na carta enviada a Rivlin, acrescenta que “apesar das atrocidades perpetradas [pelos nazis] contra a sua família durante o Holocausto, Shimon Peres estendeu a mão” aos alemães. "Estamos-lhe extremamente gratos por essa atitude", sublinha. O Presidente alemão considera ainda que a sua vida "ao serviço da paz e da reconciliação" pode "ser um exemplo para os jovens".

Por seu turno, o Presidente francês François Hollande entyende que o antigo chefe de Estado israelita foi um dos “mais fervorosos defensores da paz” e um “fiel amigo” da França. “Shimon Peres pertence agora à História, que foi a companheira da sua longa vida”, escreve Hollande num comunicado.

“Com o desaparecimento de Shimon Peres, Israel perde um dos seus mais ilustres estadistas, a paz [perde] um dos seus mais fervorosos defensores e a França um amigo fiel”, sublinha Hollande, que se reuniu com o Nobel da Paz pela última vez a 25 de março.

“Eu pude ver (...) que a força da sua convicção estava intacta”, diz o chefe de Estado francês. “Membro de inúmeros Governos, primeiro-ministro por várias vezes e finalmente Presidente, de 2007 a 2014, Shimon Peres era Israel aos olhos do mundo”, realça.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu manifestou também esta quarta-feira o seu "profundo pesar pessoal" pelo falecimento do ex-Presidente Shimon Peres, o "filho pródigo" de Israel, e convocou uma reunião especial do seu gabinete.

“Benjamin Netanyahu e a sua mulher Saram expressam o seu profundo pesar pessoal pelo desaparecimento do filho pródigo da nação, o ex-Presidente israelita Shimon Peres”, lê-se num comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro.

No mesmo comunicado, refere-se que Netanyahu tem previsto liderar uma reunião especial do seu gabinete de ministros, durante a qual pronunciará um discurso sobre o estadista falecido

O canal 10 da televisão israelita precisou que nesta reunião estabelecer-se-á previsivelmente uma comissão destinada a preparar, em consonância com o protocolo, o funeral de Estado para Peres, a qual vai ser encabeçada pela titular da pasta da Cultura Miri Reguev.

O mesmo órgão adiantou que o funeral deve realizar-se na sexta-feira, antes do dia sabático judeu, e que o corpo estará exposto no Parlamento (Kneset) para que os israelitas possam prestar-lhe homenagem. Além disso, é esperada a participação de proeminentes líderes e políticos internacionais na cerimónia fúnebre.

De visita oficial à Ucrânia, o Presidente israelita decidiu encurtar o programa e regressar mais cedo a casa, já esta quarta-feira, informa o seu gabinete. Rivlin expressa “a sua profunda tristeza pela morte do ex-Presidente e ex-primeiro-ministro Shimon Peres”, diz um comunicado do seu gabinete.

“A uma curta distância de onde estou em visita na Ucrânia, na cidade de Vishnyeva, Bielorrússia, nasceu Szymon Perski, que cresceu como um jovem com grandes sonhos”, sublinha o chefe de Estado israelita. Rivlin recorda que a partir desse lugar da Europa do Leste Peres emigrou para Israel e “nunca parou de trabalhar pelo movimento sionista, pelo Estado de Israel e pelo povo de Israel”.

O chefe de Estado realça ainda que “não há um capítulo da história do Estado de Israel em que Shimon não tenha escrito ou desempenhado um papel”. Ao mesmo tempo, “fez-nos olhar o futuro” e “fez-nos atrever a imaginar não o que houve aqui, ou o que há agora, mas aquilo que poderia haver”, acrescentou Rivlin. É “um dia triste para o povo israelita, para o Estado de Israel”, concluiu.

Organizações judias norte-americanas também já manifestaram as suas condolências pela morte de Peres. “O povo de Israel e na diáspora despede-se com dor e amor a um líder”, afirma o chefe do Partido Trabalhista Isaac Herzog.

Por seu lado, o titular da pasta da Educação Naftali Bennet, de direita, afirma que Peres “escreveu a história com as suas próprias mãos”.

O ministro do Interior e líder do partido ultraortodoxo sefardita Shas, Arie Deri, que visitou Peres no hospital na passada terça-feira, assinalou que o seu desaparecimento “representa uma grande perda para o povo judeu e para o estado de Israel”.

O rabino do Muro das Lamentações, Shmuel Rabinovich, considera que “Peres foi o último dos defensores da verdade”.