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Alexandre de Moraes, o próximo ministro brasileiro a cair?

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Alexandre de Moraes, ministro da Justiça do Governo de Michel Temer

ANDRESSA ANHOLETE

No círculos próximos do Presidente Michel Temer pede-se a cabeça do ministro da Justiça devido à quebra de sigilo da Lava Jato num comício eleitoral. Moraes “profetizou” a prisão de um ex-ministro de Lula, que aconteceu no dia seguinte

A quatro dias das eleições municipais, a ofensiva da operação Lava Jato contra ex-responsáveis dos governos de Lula e Dilma ocupa o centro da agenda política. Mas também poderá causar vítimas dentro do próprio Executivo de Michel Temer.
A Comissão de Ética da Presidência da República abriu, ontem à tarde, um inquérito para apurar a conduta do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (PSDB), num comício de campanha eleitoral onde revelou que mais prisões estavam para vir.
“Teve [uma operação da Lava Jato] a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana vão se lembrar de mim”, disse Alexandre de Moraes, no domingo, a militantes do Movimento Brasil Limpo, uma das principais organizações das manifestações pela destituição de Dilma Rousseff.
O ministro da Justiça estava em Ribeirão Preto (São Paulo) num comício da campanha de Duarte Nogueira, o candidato do PSDB à câmara local. No dia seguinte, segunda-feira, a profecia de Moraes concretizou-se: o ex-ministro das Finanças de Lula, António Palocci, foi preso no âmbito da Lava Jato. E, coincidência ou não, Ribeirão Preto é a origem da base eleitoral de Palocci, também ex-prefeito e ex-deputado federal.

Dois ex-ministros presos e Lula acusado

Palocci é acusado de ter recebido subornos da Odebrecht e a sua prisão segue-se à do ex-ministro do Planeamento de Lula, Guido Mantega, na semana passada. Uma semana que começou com o juiz Sérgio Moro a sentar Lula da Silva no banco dos réus depois de aceitar uma frágil e controversa acusação do Ministério Público contra o ex-Presidente brasileiro.
Apesar de o Presidente Michel Temer ter dado como resolvida a questão depois de uma conversa telefónica com o titular da Justiça, nos círculo próximos do chefe de Estado e mesmo na imprensa mais conservadora continua-se a pedir a cabeça de Moraes.
“Não cabe ao ministro da Justiça gabar-se das operações da Polícia Federal como se delas fosse o líder” adiantava ontem o “Estado de São Paulo”. Em editorial, o jornal salienta que Moraes exibiu a Lava Jato “como um troféu para ajudar um candidato”, para salientar que a posição do ministro se tornou “insustentável”.
As investigações dos desvios de fundos da Petrobras já lavaram à demissão de quatro ministros do Executivo de Michel Temer.

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