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Sánchez alvo de críticas internas depois do anúncio de primárias e congresso no PSOE

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ANDREA COMAS/REUTERS

O líder dos socialistas espanhóis, Pedro Sánchez, anunciou que pretende arrumar a casa no PSOE a toda a velocidade. Nem todos concordam

“O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, tirou da manga uma carta duvidosa para iludir as suas responsabilidades na sucessão de graves derrotas eleitorais”, escreveu o diário “El País” no editorial desta terça-feira.

O jornal acusa o líder socialista de convocar os militantes para umas primárias que representam um “plebiscito à sua pessoa”, para dia 23 de outubro. A proposta, que inclui ainda a realização de um congresso federal para o início de dezembro, terá de ser aprovada por um comité do partido no próximo sábado.

O dirigente socialista mostrou-se “convencido de que o Comité Federal não se irá opor” à marcação das primárias e do congresso socialista.

Ontem ao final da tarde, perante a comissão permanente do PSOE, Pedro Sánchez mostrou-se disposto a formar um Governo “alternativo de mudança” para evitar terceiras eleições em Espanha, e pediu o apoio dos militantes socialistas no congresso.

“É importante que o PSOE tenha uma só voz, que é a voz do seu secretário-geral”, disse Sánchez na conferência de imprensa em que considerou legítimo que dirigentes regionais socialistas defendam uma estratégia diferente da sua.

A proposta do líder dos socialistas espanhóis foi muito mal recebida dentro do próprio partido. O PSOE andaluz, os autarcas da Extremadura e da Comunidade Valenciana e históricos do partido como José Luis Rodríguez Zapatero e o deputado Eduardo Madina manifestaram o seu descontentamento, logo após o anúncio da convocatória de um congresso federal com primárias em outubro.

O desaire eleitoral do PSOE nas regionais de domingo passado, vem complicar ainda mais a vida a Pedro Sánchez, que garantiu ontem “toda a responsabilidade” pelos resultados nas eleições galegas e bascas, apesar de existirem “muitas causas”. O partido socialista espanhol foi a força política mais penalizada no País Basco, tendo baixado de 16 para nove o número de representantes no parlamento regional.

“Calendário traiçoeiro”

O diário espanhol “El País” diz que Sanchéz não está preocupado com os problemas dos cidadãos espanhóis nem com Espanha. “Não se pode organizar a eleição do líder do partido e um congresso para delinear a estratégia para vários anos com um calendário tão traiçoeiro”, insiste o jornal.

“Sánchez pretende reeleger-se numas primárias oito dias antes do final do prazo para evitar a dissolução do Parlamento e a convocatória das terceiras eleições gerais num ano; e celebrar o congresso do seu partido duas semanas antes da hipotética e indesejável eleição geral, mas com ele já reeleito, para que possa manter-se no cargo apesar da nova e previsível derrota”, opina o diário de Madrid.

Se o impasse político em Madrid não for debloqueado até 31 de outubro próximo, o rei Felipe VI terá de dissolver o parlamento nacional e convocar novas eleições. Significará que as quatro principais forças políticas espanholas (PP, PSOE, Unidos Podemos e Ciudadanos) terão falhado um acordo para formar um Governo estável em Espanha.