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Mulheres sauditas tentam acabar com o sistema de guarda masculina

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Mais de 14 mil já assinaram a petição e 2500 inundaram o gabinete do Rei saudita com telegramas, solicitando o fim de um sistema que menoriza as mulheres e não as reconhece como seres autónomos e emancipados

A petição pretende acabar com o sistema de guarda masculina, segundo o qual as mulheres da Arábia Saudita precisam de autorização para alugar casa, viajar ou receber tratamento hospitalar.

Em sequência da campanha que está a correr nas redes sociais, mais de 14 mil assinaram o documento e 2500 enviaram telegramas para o gabinete do Rei com apelos à revogação da legislação que não as trata como “adultos de plenos direitos”, recusando reconhecê-las como seres autónomos e emancipados.

A assinatura do documento implicou que as mulheres dessem o seu nome completo, o que surge como um ato de coragem num país em que são alvo de repressão. Muitas mais apoiaram a iniciativa de forma anónima.

“As mulheres devem ser tratadas como cidadãs plenas”, afirmou a ativista Aziza Al-Yousef, em declarações ao “Guardian”.

Hala Aldosari – a investigadora sobre a saúde das mulheres, que colaborou no relatório da Human Rights Watch sobre o assunto e que escreveu a petição – referiu ao jornal britânico que o hashtag associado à iniciativa, “#IAmMyOwnGuardian” (#EuSouaMinhaGuardiã”), obteve apoios de mulheres de todas as idades e meios sociais.

Outras hashtags de apoio têm sido denunciadas como spam, numa tentativa de controlar a sua propagação.

Mulheres já podem votar mas não conduzir

Kristine Beckerle, investigadora da Humans Right Watch que também colaborou no relatório, disse à BBC que o apoio das mulheres sauditas à iniciativa surge como algo “incrível e sem precedentes”.

A Arábia Saudita já se comprometeu por duas vezes, em 2009 e 2013, a abolir o sistema, na sequência de referências à situação em relatórios do Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos, mas nunca chegou a fazê-lo. Entretanto avançou com outras reformas, nomeadamente permitindo às mulheres candidatarem-se e votarem nas eleições municipais e facilitando o seu acesso ao mercado de trabalho.

Algumas universidades e empregadores requerem, contudo, autorização masculina para aceitarem mulheres, embora nestes casos não haja uma obrigação legal nesse sentido.

Normalmente, o guardião é o pai ou marido da mulher, mas as viúvas podem ter de obter autorizações dos filhos ou de outro homem maior de idade.

A proibição de conduzirem é outra restrição aos direitos das mulheres que continua a vigorar na Arábia Saudita.