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Internacional

Paz com as FARC vai fomentar crescimento económico na Colômbia

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Drew Angerer

Quem é o diz é o Presidente colombiano em entrevista à BBC esta segunda-feira, dia em que o Governo e as FARC vão assinar o histórico acordo de paz definitivo para enterrar mais de 50 anos de conflito armado. Documento só entrará em vigor se maioria dos colombianos votar a favor dele num referendo convocado para o próximo domingo

O Presidente Juan Manuel dos Santos defende que o acordo de paz alcançado pelo seu Governo com o movimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vai inaugurar um período de crescimento económico que permitirá ao país reconstruir o tecido social destruído por mais de cinco décadas de guerra.

Numa entrevista à BBC esta segunda-feira, dia em que Santos e o líder das FARC, Timoleon Jimenez, vão ratificar o histórico e antecipado acordo de paz, o Presidente colombiano diz que "a guerra tem sempre custos mais elevados que a paz", embora assuma que vai levar algum tempo até a sociedade poder recuperar das mais de cinco décadas de conflito armado.

"Podíamos ter cresido entre 2% e 3% mais a cada ano nos últimos 23 anos", defende o político, não sem antes sublinhar os profundos impactos do conflito para várias gerações de colombianos. "Perdemos até a compaixão, a nossa capacidade de sentir algum tipo de dor pelos outros. Um país em guerra durante 50 anos é um país que destruiu muitos dos seus valores."

Depois de mais de cinco décadas de um conflito que provocou quase 220 mil mortos e mais de seis milhões de deslocados internos, um acordo de paz mediado por Cuba foi alcançado há um mês em Havana, mas para o Presidente da Colômbia isso por si só não chega. "A assinatura do acordo é simplesmente o fim do conflito. Aí é que começa o trabalho árduo: reconstruir o nosso país", defende na entrevista ao canal britânico.

O acordo de paz, aprovado por unanimidade pelos altos cargos das FARC na passada sexta-feira, só será implementado se a maioria dos colombianos votar a favor dele num referendo convocado para o próximo domingo. "As últimas sondagens mostram que entre 65% e 70% da população aprova o processo de paz", sublinha Dos Santos, dizendo-se "muito, muito confiante" num resultado positivo. "A paz é a vitória para toda a gente."

Se, contra todas as expectativas, uma maioria dos colombianos chumbar o acordo, diz o Presidente que o conflito irá ser retomado. "Será uma regressão de seis anos e a guerra com as FARC irá continuar. Não há plano B." Este domingo, o Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo rebelde colombiano, que já manifestou a sua vontade de dar início a um processo de paz semelhante com o Governo, anunciou um cessar-fogo unilateral ao longo desta semana, até à ida às urnas do próximo fim de semana.