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Mulheres sauditas querem pôr fim ao domínio masculino

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Aziza Al-Yousef

Na Arábia Saudita as mulheres precisam de uma autorização masculina para obter um passaporte, sair do país, casar, arranjar emprego, ingressar na universidade, alugar uma casa e ir ao hospital. Esperam agora que esta petição consiga alterar a legislação em vigor e trazer-lhes independência

Para acabar com o controlo masculino na Arábia Saudita, 14 mil mulheres assinaram uma petição que vai agora ser levada ao Governo real. Todas deram o seu nome completo, sendo que houve ainda quem assinasse anonimamente, escreve a BBC esta segunda-feira.

Centenas de mulheres, num total de 2500 segundo uma estimativa, inundaram ainda o escritório do rei saudita durante o fim de semana, ao enviarem telegramas contendo mensagens pessoais de suporte à iniciativa.

A ativista Aziza Al-Yousef declarou à BBC que estava muito orgulhosa da campanha porque estavam a tentar fazer com que as mulheres fossem tratadas como “cidadãs plenas”.

Contudo, Yousef alerta que é preciso uma resposta por parte do Governo. Desde há 5 anos que a ativista luta a favor desta causa e garante que “nunca teve problemas legais com as campanhas que realizou, mas o problema foi que nunca obteve resposta”.

Yousef não espera que esta petição traga consequências negativas e confessa que não está preocupada pois “não está a fazer nada de mal”. Em 2013, a ativista foi mandada parar pela polícia porque na Arábia Saudita não é permitido que as mulheres conduzam.

Para realizarem outras atividades como casar, viajar para o estrangeiro ou tirar um passaporte, as mulheres precisam de autorização de um elemento masculino da família. Algumas entidades empregadoras também exigem o consentimento do encarregado masculino para contratarem mulheres para trabalhar, apesar de não estar previsto na lei que assim seja.

Um tratamento médico ou a inscrição na universidade também requerem que a mulher tenha uma permissão do seu encarregado. E nos casos em que a figura masculina não concede permissão, não há muito que a mulher possa fazer para garantir a sua liberdade.

Investigadora do “Human Rights Watch”, Kristine Beckerle refere que a iniciativa que pretende acabar com este controlo masculino marca claramente a posição feminina de que as mulheres sauditas não querem mais ser tratadas como “cidadãs de segunda classe e que é tempo para que o Governo as ouça”.