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François Hollande visita Calais dias depois de prometer encerrar a “selva”

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Getty Images

Presidente francês vai encontrar-se com a polícia, com as autoridades portuárias e com políticos locais, mas não pretende visitar o campo de refugiados em si

O Presidente francês vai visitar Calais esta segunda-feira, para se encontrar com representantes da polícia e das autoridades costeiras e com políticos locais, dias depois de ter apresentado planos para encerrar o campo improvisado de requerentes de asilo naquela cidade costeira do norte de França.

De acordo com a BBC, François Hollande não tem planos para visitar o campo em si, onde neste momento vivem temporariamente entre sete e 10 mil refugiados, a maioria dos quais com intenções de chegar ao Reino Unido. Hollande admitiu recentemente que as condições do campo na fronteira marítima com Inglaterra são "inaceitáveis", depois de ter anunciado que pretende encerrar a "selva", como o campo ficou conhecido no último ano. A visita desta segunda-feira tem como objetivo prioritário inaugurar uma extensão do porto de Calais.

Neste momento, as autoridades francesas estão a ultimar planos para construir um muro na cidade francesa, financiado pelo Reino Unido, com um quilómetro de comprimento, ao longo da principal estrada que leva ao porto de Calais, com o objetivo de impedir que os requerentes de asilo atravessem o túnel do Canal da Mancha clandestinamente dentro de camiões que partem com destino a Inglaterra.

Metade da "selva" foi desmantelada no início deste ano e, a cerca de seis meses das eleições presidenciais francesas, marcadas fortemente pelo tema da imigração, Hollande tem pretensões de conseguir encerrar o campo improvisado de migrantes o mais depressa possível.

Este sábado, Hollande prometeu "desmantelar completamente" aquele campo e criar, no seu lugar, "centros de receção e orientação" onde as pessoas que fogem de países do Médio Oriente e África possam candidatar-se a asilo em França ou, pelo contrário, de onde possam ser deportadas caso não cumpram os pré-requisitos. "Iremos garantir boas-vindas dignas e humanas às pessoas que se candidatem ao direito de asilo", declarou o líder francês este fim de semana.

Num artigo publicado no mesmo dia, o "The Guardian" referia que "não há plano B" para os adultos e crianças que neste momento estão instalados no campo de Calais, "a maior favela da Europa", cerca de 10 mil pessoas concentradas num minúsculo pedaço de terra abandonado a leste do centro da cidade. "Estou aqui para chegar ao Reino Unido, é só nisso que penso, não tenho qualquer outro plano", disse ao jornal britânico Einas, um rapaz de 17 anos que partiu da Etiópa há oito meses com as poupanças da família, a fim de conseguir asilo no território britânico.

A questão dos menores não-acompanhados é uma das mais sensíveis e urgentes relacionadas com aquele campo, que Hollande quer totalmente encerrado antes do final de 2016. No início de setembro, ativistas no terreno alertaram que o Reino Unido tem o dever moral de garantir apoio e asilo aos cerca de 400 menores que estão sozinhos na "selva", sem condições nem orientação ou apoio.

Segundo o diário britânico, os adultos e as famílias de refugiados que estão a viver em Calais receberam ordens para dispersar e se redistribuírem pelos cerca de 164 pequenos centros de receção criados noutras partes de França, um plano que a população local não só apoia como exige há vários meses.

Pelo contrário, as crianças e menores que não estão acompanhados parecem ter sido deixados à margem do plano. "As crianças estão dispostas a correr mais riscos, saem quase todas as noites com medo de que isto lhes seja tirado", explica Inca Sorrell, porta-voz do campo não-oficial. "Existe um real pânico. Pelo menos aos adultos foram dadas opções."

Sondagens recentes, a sete meses das presidenciais francesas, mostram que Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, continua a cimentar fortes apoios entre a sociedade francesa, o que só veio aumentar a pressão sobre Hollande e tornar central o previsto encerramento do campo improvisado de migrantes.

Na semana passada, e seguindo a tendência de retórica anti-imigração que está a dominar a pré-campanha eleitoral, o ex-Presidente e candidato às presidenciais Nicolas Sarkozy prometeu que, se for eleito, irá forçar o Reino Unido a abrir um centro de migrantes para lidar com os refugiados que estão presos na cidade francesa de Calais.