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Boris Johnson deixa de lado ideia do Brexit em 2017

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Yana Paskova/GETTY

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico deixou de falar numa saída no início do ano que vem, passando agora a considerar que o Brexit se deve concretizar antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu, em 2019

Apesar de frisar que as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) “não se devem arrastar”, Boris Johnson recusou-se, ontem, a repetir a ideia que defendera três dias antes: que o Governo britânico deveria acelerar o processo para que o Brexit se concretize no início de 2017.

O ministro dos Negócios Estrangeiros dissera, na quinta-feira, que o Reino Unido deveria ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que inicia formalmente o processo de saída da UE, para que a saída ocorresse nos primeiros meses do ano que vem. A invocação do artigo 50 inicia um prazo de dois anos para concluir as negociações.

A campanha para o referendo de 23 de junho causou grandes divisões políticas, nomeadamente dentro do Partido Conservador, com o então primeiro-ministro David Cameron a defender a permanência e Johnson a surgir como apoiante da saída.

May não apoiou prazo indicado por Johnson

O anterior prazo apontado pelo ministros dos Estrangeiros não contou, contudo, com o apoio da primeira-ministra Theresa May, o que terá feito Johnson recuar. “É óbvio que não vamos fazê-lo antes do Natal”, afirmou o ministro, quando questionado sobre a ativação do artigo 50, durante o programa político de Andrew Marr da BBC.

“Acho que temos muito trabalho a fazer para pôr as coisas em ordem e é isso que tem de ser feito. Mas depois disso, como afirmou a primeira-ministra, o processo não se deve arrastar”, disse Johnson, sugerindo agora que a saída deve ocorrer antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu, que se celebram em maio de 2019.

“As pessoas vão questionar se queremos enviar uma nova remessa de eurodeputados britânicos para essa instituição se, afinal de contas, vamos sair. Por isso, avancemos com isso”, acrescentou. As negociações para o Brexit irão determinar o nível de acesso que o Reino Unido terá ao mercado único europeu e o controlo sobre a entrada de imigrantes vindos do espaço europeu. Johnson disse, a esse propósito, que o país precisa de investir mais na formação e treino dos jovens, considerando que nos últimos 25 anos a imigração tem sido “uma espécie de droga” para os negócios e a indústria do Reino Unido.