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Síria: Bombardeamentos continuam em Alepo enquanto ONU reúne de emergência

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ANDREW KELLY / REUTERS

Encontro do Conselho de Segurança da ONU foi marcado de emergência para este domingo à tarde a pedido da França, Reino Unido e EUA, mas acordo parece estar longe. Novos bombardeamentos terão feito 139 mortos, mas Rússia diz que a paz “é quase uma tarefa impossível agora"

Não há descanso na Síria. Alepo está novamente a ser bombardeada e desta vez num ataque sem precedentes que alguns membros da ONU consideram de crime de guerra e obrigou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a marcar uma reunião de emergência para este domingo à tarde.

Tudo recomeçou na quinta-feira, depois da trégua de apenas uma semana ter sido levantada na segunda-feira, e desde então que já se contam, segundo os EUA, 158 ataques a´reas e 139 mortos, na maioria civis, e ainda cerca de dois milhões de pessoas que terão agora ficado sem água.

Os bombardeamentos, que estão a ser contínuos, estão mais concentrados na parte oriental de Alepo, uma zona que se diz ser controlada pelos rebeldes, e estão a ser levados a cabo não só pelo exército sírio, mas também pelos seus aliados russos que estarão a usar mísseis e bombas mais potentes que o normal, ou seja, têm como objetivo uma destruição maciça e rápida.

Um ativista, Abdallah al-Asani, afirmou à Efe no sábado que as forças russas estão a atacar a cidade com um tipo de mísseis que causam um grande tremor de terra ao atingir o solo. Aliás, segundo o The Guardian, as munições são tão poderosas que são capazes de destruir edifícios inteiros e mesmo de destruir por completo os corpos, o que deixa a contagem de mortos muito mais difícil.

Além disso, alguns dos ataques poderão ter sido dirigidos deliberadamente aos locais onde estão concentradas as ajudas humanitárias e os capacetes azuis que prestam assistência a vítimas civis e ajudam na contagem dos mortos.

A situação levou as Nações Unidas a marcar uma reunião de emergência para este domingo às 16h00 (hora de Lisboa) para tentar chegar a um acordo para um verdadeiro cessar-fogo e não apenas uma trégua de uma semana.

O pedido foi feito pela França, Estados Unidos e Reino Unido, mas as trocas de acusações recentes entre estes membros da ONU e a Rússia podem dificultar o processo de acordo.

Aliás, segundo avança a Reuters, o representante da Rússia para as Nações Unidas, Vitaly Churkin, disse durante o Conselho de Segurança que a paz na Síria "é quase uma tarefa impossível agora".

Antes do início da reunião, o representante francês nas Nações Unidas, François Delattre, afirmou que estão a ser cometidos crimes de guerra na cidade síria de Alepo e que estes “não devem ficar impunes”. Além disso, acusou o regime sírio e os aliados russos de prosseguirem uma solução militar na Síria e de se servirem das negociações como uma “cortina de fumo”.

Por seu turno, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, pediu à Rússia e ao Irão que deixem de apoiar a estratégia do regime sírio ou “serão cúmplices dos crimes de guerra cometidos em Alepo”.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, considerou os ataques russos de crimes de guerra, referindo-se aos bombardeamentos a civis a às forças de ajuda humanitária e civis. Aliás, considerou mesmo que as tropas russas têm estado a tornar a guerra na Síria, que já se arrasta desde março de 2011, num conflito "ainda mais hediondo" e que têm estado, deliberadamente, a atacar civis.

"Temos de perceber se os ataques às forças humanitárias em Alepo foram feitos com conhecimenr«to de que esses alvos eram apenas civis. Isso é crime de guerra", disse à BBC.

Já a representante dos EUA para as Nações Unidas, Samantha Power, comentou este domingo durante a reunião que os ataques russos na Síria são uma bárbarie e não contra-terrorismo, avançou a Reuters. “A Rússia tem o poder de parar este sofrimento. (…) Não haverá paz na Síria se a Rússia prosseguir com esta guerra”, afirmou ainda Samantha Power, referindo-se ao apoio militar e político que Moscovo tem prestado ao regime de Bashar al-Assad.

[Notícia atualizada às 19h18]