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Primeiras projeções confirmam estabilidade no País Basco e Galiza

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MIGUEL VIDAL / REUTERS

PP galego deve manter maioria e nacionalistas moderados bascos ficarão no poder, sujeitos a alianças. Socialistas têm mau resultado em ambas as regiões

As urnas encerraram há cerca de uma hora nas eleições regionais da Galiza e do País Basco e as sondagens à boca da urna indicam que o Partido Popular (PP, direita, no poder em Espanha desde 2011) deve manter o poder em terras galegas e que no governo basco permanecerá o Partido Nacionalista Basco (PNV, nacionalista moderado e conservador).

Em ambos os casos é a força predominante da região que confirma a sua preponderância. A direita governou a Galiza desde a democratização de Espanha, há 42 anos, com dois intervalos de governo socialista. Já no País Basco, só entre 2009 e 2012 o PNV cedeu o poder ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, social-democrata).

As primeiras projeções indicam que o PNV terá 27 a 30 assentos num parlamento regional com 75 lugares. Será, a confirmar-se, uma vitória sem maioria, pelo que Íñigo Urkullu, presidente do governo regional desde 2012, terá de fazer acordos com outras forças. Em segundo lugar ficará, segundo as previsões, o partido separatista de esquerda Euskal Herria Bildu (EHB, País Basco Unido, herdeiro do Batasuna, antigo braço político da organização terrorista ETA). Elegerá 16 a 20 deputados regionais.

Quem obtém pela primeira vez representação parlamentar na região é o Podemos (esquerda populista), com 13 a 15 lugares. Os dois maiores partidos espanhóis, PP e PSOE, ficam relegados para a quarta e quinta posições. Os socialistas caem de 16 para 8 a 10 deputados. Os populares obtêm 7 ou 8. Ainda não é claro se o partido Cidadãos (centro liberal) se estreará no hemiciclo basco, com um representante.

Estabilidade na Galiza

Na Galiza, o presidente regional Alberto Núñez Feijóo (PP), no poder desde 2009, deve reeditar a vitória de há quatro anos. A maioria absoluta que as projeções lhe auguram afasta a hipótese de as demais forças se unirem numa aliança opositora que o destrone. Com 38 a 41 lugares, em 75, o PP parece seguro.

Enquanto se aguardam os resultados finais, o segundo lugar está em disputa entre o PSOE e a lista esquerdista Em Maré, apoiada pelo Podemos. Ficarão, em todo o caso, a grande distância de Feijóo, com 14 a 16 deputados cada. O Bloco Nacionalista Galego obterá 6 ou 7 assentos e o Cidadãos, nenhum ou um.

Um país sem Governo

A divulgação dos resultados finais, ao longo desta noite, permitirá saber se as opções dos 2,2 milhões de galegos e 1,7 milhões de bascos chamados às urnas ajudará a resolver a crise política que Espanha vive, a nível nacional, há quase um ano.

Tendo realizado eleições legislativas em dezembro de 2015 e junho de 2016, o país continua com um governo em gestão, impedido de tomar decisões importantes. O PP foi o mais votado em ambos os escrutínios mas sem maioria, e não se revelou capaz de forjar alianças para reconduzir o primeiro-ministro Mariano Rajoy.

A oposição tem bloqueado a investidura de Rajoy mas tampouco se organiza num Executivo ao estilo da Geringonça portuguesa. Os maus resultados do PSOE na Galiza e no País Basco, a confirmarem-se, retiram força ao líder nacional socialista, Pedro Sánchez, para o objetivo declarado de formar uma alternativa a Rajoy, com a agravante de enfrentar forte contestação interna.