Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ban Ki-moon sobre a Síria: “Durante quanto tempo mais vão permitir que tal crueldade continue?”

  • 333

ANDREW KELLY / REUTERS

O secretário geral das Nações Unidas pediu a todos os países com influência para “acabarem com o pesadelo” e para “travarem o caos” que se vive na Síria

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou este domingo às potências mundiais para que se empenhem mais para "acabar com o pesadelo" na Síria, onde os ataques nos últimos dias causaram perto de 150 mortos.

"Que desculpa há para algo menos que uma ação determinada para travar o caos? Durante quanto tempo mais todos aqueles que têm influência vão permitir que tal crueldade continue? Eu apelo a todos os envolvidos para que acabem com o pesadelo", afirmou Ban Ki-moon, na reunião de urgência do Conselho de Segurança, convocada para analisar a escalada de violência dos últimos dias na Síria, em particular sobre uma zona controlada pelos rebeldes na cidade de Alepo.

O secretário-geral das Nações Unidas instou os 15 países que integram o Conselho de Segurança "a agir de forma determinada". Ban Ki-moon denunciou a utilização em Alepo de bombas particularmente potentes capazes de demolir refúgios ('bunkers') ou os hospitais instalados nas caves de edifícios.
"As leis internacionais são claras", recordou: "O uso sistemático e sem discernimento de armas em zonas densamente populosas é um crime de guerra".

Com a utilização destas bombas superpotentes, "a violência atingiu novos níveis de barbárie" em Alepo, afirmou o líder da ONU.

Também o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, interveio na reunião, referindo a morte de 139 pessoas nos últimos dias, na sequência dos ataques nos últimos dias na parte oriental de Alepo, além de mais 74 pessoas na parte rural próxima a esta cidade, elevando o total de vítimas mortais para 213.

"São dias assustadores. (...) Não há nada que justifique o que está a acontecer perante os nossos olhos", afirmou o enviado especial.

Staffan de Mistura apresentou um panorama desolador da situação no leste de Alepo, onde cerca de 275 mil pessoas estão "presas de facto", sem alimentos nem água potável, enquanto as equipas de emergência estão "sobrecarregadas e não conseguem responder a estes ataques".

Organizações humanitárias, bem como países como os Estados Unidos e a França, apontaram a aviação síria e a russa como os principais responsáveis destes ataques sobre a zona leste da segundo maior cidade síria, desde que na passada segunda-feira terminou o cessar-fogo que tinha sido negociado em Genebra entre os Estados Unidos e a Rússia.

As tentativas de prolongar a trégua, que prosseguiram nos últimos dias em Nova Iorque, à margem da Assembleia-Geral da ONU, fracassaram, sem esperanças de que as duas administrações possam voltar a reunir-se a curto prazo.

Este facto, segundo de Mistura, levou a que se tenha "gerado uma violência sem precedentes que afeta também os civis".
O representante da ONU disse que é impossível verificar quantos ataques aéreos ocorreram nos últimos dias, entre outras razões porque muitos se realizam de noite.
Mas a administração norte-americana referiu que foram realizados pelo menos 158 ataques aéreos nas últimas 72 horas.

De Mistura receia que a esta ofensiva aérea possa seguir-se uma "longa luta rua a rua que levará meses, se não anos".
O enviado especial pediu ao Conselho de Segurança três medidas urgentes: que haja uma paragem da violência contra civis e infraestruturas, que seja aprovada uma trégua de 48 horas para que os comboios de assistência possam chegar a Alepo oriental e que se permita a evacuação médica dos casos mais graves.

De Mistura terminou a sua intervenção assinalando que, apesar de alguns setores o terem pedido, não tenciona renunciar ao cargo de enviado especial para a Síria.

"Se eu renunciasse seria um sinal de que a comunidade internacional abandonara os sírios. Não precisamos de dar esse tipo de sinal", acrescentou.

Os bombardeamentos sírios e russos sobre a parte oriental de Alepo intensificaram-se desde quinta-feira, devido a uma operação do regime sírio para recuperar aquela área da cidade atualmente controlada por rebeldes, segundo o Observatório sírio para os Direitos Humanos.