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Alberto Núñez Feijóo: próximo destino, Madrid

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Alberto Núñez Feijóo a falar à imprensa depois de ter votado este domingo

SALVADOR SAS / EPA

O presidente do governo galego reforçou, com uma rotunda vitória nas eleições regionais, o seu perfil de mais sólido aspirante à sucessão de Mariano Rajoy

Alberto Núñez Feijóo converteu-se, este domingo, na segunda personalidade mais importante do Partido Popular (PP, conservador), a seguir ao presidente desta força política e atual primeiro-ministro em gestão, Mariano Rajoy. Augura-se-lhe, é claro, um futuro muito mais brilhante do que o do seu chefe, a quem poderá suceder a muito curto prazo como figura mais adequada para ascender à liderança do Executivo espanhol.

Núñez Feijóo, advogado de 55 anos com larga folha de serviço em cargos administrativos, tanto em Madrid como na sua terra natal (a mesma de Rajoy), acaba de ganhar as eleições regionais da Galiza com uma contundência dificilmente alcançável noutras zonas do país. Repetiu a maioria absoluta de que dispunha no parlamento galego desde as eleições regionais de 2012 e governará muito comodamente mais quatro anos. No cargo desde 2009, já anunciou que este será o seu último mandato na Galiza. O próximo passo será, se dúvida, a política nacional, na cúpula do PP.

Numa altura em que falta apenas contabilizar os votos emitidos pelo correio, escrutínio que será conhecido dentro de dias e que poderá alterar levemente a contagem final, os resultados – com 99,3% dos votos contados – atribuem 41 assentos parlamentares ao PP, os mesmos que já tinha, num hemiciclo com 75. Feijóo obteve mais de 48% dos sufrágios.

Segue-se, mas com grande distância, a lista Em Maré, que representa o Podemos (esquerda populista) na Galiza. Elege 14 deputados, mais 5 do que em 2012, com pouco mais de 18% dos votos. O Partido Socialista Operário Espanhol (social-democrata) fica em terceiro lugar. Embora iguale o Em Maré em número de assentos, teve menos 50 mil votos do que aquela lista. Os socialistas perdem quatro deputados em relação aos resultados de 2012.

O Bloco Nacionalista Galego (BNG, nacionalistas moderados) mantém-se em último lugar entre as forças que elegem deputados, com 6 representantes, menos um do que tinham até agora. Apesar dos seus esforços, o Cidadãos (C’s, centro liberal) não consegue entrar no parlamento galego. Uma dupla desilusão, já que o mesmo ocorreu no País Basco.

Contrapeso ao desgaste nacional do PP

A vitória de Núñez Feijóo é um triunfo pessoal seu, que o consagra como personagem política do momento, mas também ajuda a realçar a imagem deteriorada de Mariano Rajoy. O líder do PP apropriou-se da vitória galega para demonstrar à opinião pública a sua força pessoal, e a do seu partido, num momento de especial desgaste para os populares.

O bloqueio da atual situação política nacional faz com que o Governo esteja em gestão há quase um ano, consequência de duas eleições legislativas celebradas com um intervalo de seis meses e, até à data, inúteis para formar novo Executivo. Já se fala em terceira ida às urnas.

Acrescem os incontáveis episódios de corrupção protagonizados por dirigentes do PP, que estão prestes a ter reflexo material, em cascata, com os respetivos processos judiciais a avançar. Tudo isto causa um distanciamento evidente por parte dos cidadãos em relação à classe política, gerando um cenário pouco favorável a floreios.

Neste contexto, poder exibir a única maioria absoluta de que dispõe qualquer partido em qualquer parte do território espanhol é um presente celestial para o PP e para Rajoy. Boa parte deste mérito pode ser atribuída à estratégia de campanha de Núñez Feijóo: reforçou a sua personalidade, vendeu as proezas do seu governo na região galega e afastou-se tanto quanto pôde da contaminada marca do PP nacional. Recusou-se, inclusive, a partilhar atos de campanha com Rajoy.

Os socialistas confirmam a sua irremediável tendência para a irrelevância. A perda de quatro deputados nestas eleições, a humilhação de se verem ultrapassados pela lista Em Maré/Podemos e a apatia com que os seus apoiantes participaram na batalha eleitoral auguram um negro horizonte ao PSOE, que no outro embate de hoje, no País Basco, também receberam violento correctivo, relegados para o penúltimo lugar das representações parlamentares, com o mesmo número de deputados (9) que o PP.

Estes números corroboram a grave crise que atravessa o histórico PSOE. A agravar a situação, assiste-se a uma crescente rebelião interna dos líderes regionais socialistas contra o secretário-geral Pedro Sánchez. Apesar disso, o líder socialista continua empenhado em evitar umas terceiras eleições legislativas no mesmo ano. Propõe-se, agora, obter o apoio do Podemos e de partidos nacionalistas para empossar um Governo minoritário socialista, suportado por apenas 85 dos 350 deputados do Congresso (os que o PSOE elegeu em junho). Ninguém atribui a menor verosimilhança a esta tentativa desesperada.