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Síria: ataques aéreos fazem mais de 50 mortos e deixam 2 milhões de pessoas sem água

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Um rapaz olhar para a destruição provocada pelos ataques aéreos no bairro de Tariq al-Bab, na cidade de Alepo, na Síria

ABDALRHMAN ISMAIL / REUTERS

As Nações Unidas alertam para o facto de dois milhões de pessoas na cidade de Alepo terem ficado sem água, por causa dos bombardeamentos deste sábado. Há pelo menos 50 mortos. “Alepo está a morrer lentamente e o mundo está a ver”, disse o diretor adjunto da Unicef à BBC

Os contínuos bombardeamentos das forças aéreas síria e russa sobre os bairros orientais de Alepo (norte), desde sexta-feira, já causaram mais de 50 mortos e "a situação é catastrófica", alertou um responsável da Proteção Civil.

"Os aviões têm estado a bombardear a localidade sem interrupção desde ontem. Não há nenhum sítio seguro", lamentou o porta-voz da Proteção Civil em Alepo, Khaled Jatid, em declarações por telefone à agência espanhola de notícias, Efe.

Jatid destacou que entre as dezenas de feridos há "cinco capacetes brancos", como se denominam os elementos deste grupo, que sofreram lesões quando participavam em tarefas de salvamento no bairro de Al Kalads.

A Unicef alertou para o facto de quase dois milhões de pessoas terem ficado este sábado sem acesso a água, depois de os bombardeamentos terem impedido o arranjo da estação elevatória de Bab al-Nayrab, que faz chegar água a cerca de 250 mil pessoas. Em retaliação, outra estação de abastecimento de água foi cortada, impedindo que a água chegue a 1,5 milhões de pessoas.

"Alepo está a morrer lentamente e o mundo está a ver", disse o diretor adjunto da Unicef à BBC, alertando para o facto de a água estar a ser cortada e de uma estação elevatória ter sido bombardeada. "É apenas o ato de desumanidade mais recente."

Em Alepo, um ativista, Abdallah al-Asani, afirmou à Efe, através da internet, que "a situação é muito má". "As pessoas chamaram ao dia de hoje 'o dia do juízo final'", lamentou, relatando que "não há sítio onde as pessoas se possam proteger em Alepo". O ativista descreveu que as forças russas estão a atacar a cidade com um tipo de mísseis que causam um grande tremor de terra ao atingir o solo.

A Coligação Nacional Síria, principal aliança da oposição, afirmou hoje, em comunicado, que a Rússia está a utilizar novas armas na campanha militar de Alepo, apesar de não precisar qual o tipo de armamento. "As contínuas investidas em Alepo, uma das cidades habitadas mais antigas do mundo, causaram danos enormes, com o objetivo claro de assassinar e deslocar o máximo número de civis presos" no interior da cidade, disse a coligação, que acusou a comunidade internacional de prosseguir com a sua "inação frente aos crimes atrozes cometidos à luz do dia".

Além dos bombardeamentos, hoje registaram-se combates entre fações rebeldes e islâmicas e o exército sírio em diferentes partes de Alepo. As forças do regime sírio conseguiram entretanto consolidar as suas posições em Alepo, efetuando o cerco à zona leste da cidade, dominada pelos rebeldes.

O reacender da violência em Alepo ocorre depois de as forças armadas sírias terem dado por terminada, na segunda-feira passada, a trégua de uma semana em todo o país, que nunca chegou a fazer cessar completamente os combates.

Entretanto, o grupo extremista Estado Islâmico anunciou este sábado que abateu na sexta-feira um avião não tripulado (drone) dos Estados Unidos em Al Hasaka (nordeste da Síria), num comunicado divulgado através da agência de notícias Amaq, vinculada aos radicais.

Num vídeo publicado pela agência, cuja autenticidade não foi comprovada, veem-se restos do aparelho supostamente derrubado pelos 'jihadistas'. O Estado Islâmico proclamou um "califado", em finais de junho de 2014, na Síria e Iraque, onde controla áreas do norte e do centro.