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Internacional

Polícia que matou negro desarmado acusada de homicídio involuntário

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Os protestos que decorrem em Charlotte, na Carolina do Norte, há vários dias são em parte motivados pelo abate de Terence Crutcher em Tulsa, no Oklahoma

Brian Blanco

O caso da passada sexta-feira em Tulsa, no estado de Oklahoma, está a alimentar protestos renovados contra a brutalidade e racismo da polícia dos EUA de que a comunidade afro-americana é vítima

Betty Jo Shelby, a agente da polícia que na semana passada abateu um negro desarmado em Tulsa, no Oklahoma, foi formalmente acusada de homicídio involuntário pelas autoridades do estado, foi anunciado na quinta-feira à noite.

De acordo com documentos judiciais citados pelo "The New York Times", a agente de 42 anos, que trabalhava no departamento de Tulsa desde 2011, alega que foi "dominada pelo medo" quando Terence Crutcher, de 40 anos, começou a afastar-se dela com as mãos no ar, temendo que a matasse. Crutcher foi abordado pela polícia numa estrada de Tulsa após as autoridades terem recebido uma denúncia de um carro abandonado naquela via. A sua morte foi filmada e divulgada na internet, reacendendo a revolta de muitos norte-americanos pelo tratamento discriminatório pela polícia de que os negros são alvo nos EUA.

Um investigador da procuradoria do condado de Tulsa diz no relatório judicial que Shelby tornou-se "emocionalmente envolvida ao ponto em que exagerou na sua reação", disparando a arma contra Crutcher apesar de "não conseguir ver quaisquer armas ou protuberâncias no corpo do homem que indicassem" que ele poderia estar armado.

A procuradoria acusa a agente de cometer um homicídio involuntário "no calor das emoções". Sob a legislação do estado de Oklahoma, "emoções" como o medo ou a raiva por vezes afetam "a capacidade para ser racional e tornam a mente incapaz de refletir a sangue frio", refere o NYT. A mesma lei prevê que, se Shelby for declarada culpada de homicídio involuntário, será condenada a uma pena não inferior a quatro anos de prisão.

A agente está em casa sob licença administrativa remunerada desde o incidente da passada sexta-feira e, segundo as autoridades, já foi emitido um mandado de captura contra ela, com as várias forças de segurança a coordenarem esforços para que ela se entregue ou seja detida.

O caso — seguido dias depois da morte de um outro afro-americano às mãos da polícia em Charlotte, que testemunhas e familiares dizem que também estava desarmado — motivou em parte os enormes protestos que estão a ter lugar naquela cidade da Carolina do Norte e que ontem levaram o governador Pat McCrory a decretar o estado de emergência e a enviar a Guarda Nacional para as ruas de Charlotte.

Reagindo ao abate de Crutcher este fim-de-semana, o candidato presidencial republicano disse estar "muito preocupado" com o incidente. "Ele parece ter feito tudo aquilo que era suposto fazer e parecia ser um bom homem, não sei o que é que aquela jovem polícia estava a pensar", disse Donald Trump num evento de campanha no Ohio.

No programa "The Steve Harvey Morning Show", a sua rival na corrida, a democrata Hillary Clinton, disse que a morte do americano negro de 40 anos demonstra a urgência de reformar as instituições de segurança e acabar com a epidemia da morte de negros pela polícia. "Quantas vezes vamos assistir a isto no nosso país?", questionou a ex-secretária de Estado norte-americana. "Em Tulsa, um homem desarmado com as mãos no ar [foi abatido]. Isto é simplesmente insuportável. E tem de se tornar intolerável. Talvez possa, falando diretamente às pessoas brancas, dizer-lhes 'escutem, isto não é quem nós somos'. Temos de fazer tudo o que for possível para melhorar o policiamento, para darmos respostas diretas a este preconceito implícito."