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“Perdi as pessoas mais preciosas da minha vida”

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As autoridades continuam as buscas

TAREK ALFARAMAWY/ EPA

Metwally Mohamed era uma das centenas de pessoas que seguiam a bordo da embarcação que naufragou ao largo da costa egípcia, na última quarta-feira. Quando a água começou a entrar na lancha saltou. Conseguiu salvar-se. Mas perdeu parte da vida

Metwally Mohamed queria uma vida melhor. Desejava trazer os dois filhos e a mulher para a Europa na esperança de que o futuro lhes sorrisse. Não sorriu. Ainda antes de chegar ao destino, a família foi tramada pelas águas do Mediterrâneo. A embarcação onde seguiam naufragou, na passada quarta-feira ao largo da costa do Egito. Morreu a mãe. Morreram os filhos. E só Metwally sobreviveu.

“Perdi as pessoas mais preciosas da minha vida”, contou o sobrevivente, citado pela televisão norte-americana CNN. “Havia mais pessoas do que o barco conseguia aguentar. Um barco que tem capacidade para 200 pessoas tinha a abordo 450 ou 500”, descreveu.

Na passada quarta-feira, a família de quatro entrou numa lancha. Cerca de 90 minutos depois, no mar Mediterrâneo, embarcaram num navio que já estava lotado com centenas de pessoas. Os migrantes eram de nacionalidades egípcia, síria e de diversos países africanos, segundo indicaram as forças de segurança à Reuters.

Quando começou a entrar água, Metwally Mohamed saltou para fora da embarcação e apelou a alguns passageiros que saltassem também de forma a equilibrar o peso. “Tentei puxá-los [mulher e filhos] para saírem dali comigo. Mas não consegui”, relatou.

Minutos depois, viu o barco a desaparecer à sua frente. A mulher e os filhos ainda lá estavam. Quando os voltou a encontrar, estavam mortos.

O número de vítimas mortais continua a aumentar. As autoridades, citadas pela BBC, apontam que estariam no barco entre 450 e 600 pessoas. Só foram resgatadas 163. Do Mediterrâneo, já foram retirados 108 cadáveres.