Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Negociações do Brexit vão “provavelmente” começar dentro de poucos meses

  • 333

Yana Paskova/GETTY

Quem o diz é Boris Johnson, porta-estandarte da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia que Theresa May escolheu para ministro dos Negócios Estrangeiros do seu governo

O Reino Unido vai "provavelmente" dar início às negociações formais para sair da União Europeia no início do próximo ano, avançou Boris Johnson aos media britânicos na quinta-feira à noite.

Em declarações aos jornalistas em Nova Iorque, onde o novo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros esteve a participar na sua primeira assembleia-geral da ONU esta semana, Johnson disse que o prazo para ativar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa "ainda está sujeito a discussão" mas que poderá "provavelmente acontecer na parte inicial" de 2017.

Confrontada com as declarações do chefe da diplomacia britânica, uma porta-voz de Downing Street, a residência oficial da primeira-ministra Theresa May, disse que a posição do Governo não se alterou, referindo novamente e apenas que o artigo 50.º "não será ativado até ao final deste". "A decisão é dela [May] e será tomada por ela numa altura em que haja maiores probabilidades de conseguir o melhor acordo possível para a Grã-Bretanha", disse a representante.

Há uma semana, a BBC tinha avançado que May disse ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que pretende avançar com a ativação do artigo em questão em fevereiro de 2017, o prazo ontem apontado por Johnson aos correspondentes britânicos em Nova Iorque.

Falando à BBC, o ex-autarca londrino que liderou a campanha a favor do Brexit para o referendo de 23 de junho disse que "o governo está a trabalhar para que a carta do artigo 50.º, que, como sabem, será provavelmente redigida na primeira parte do próximo ano. Isto ainda está sujeito a discussão mas o que é claro, penso eu, para os nossos amigos e parceiros da UE é que não vamos abandonar a Europa".

Na mesma entrevista, Johnson declarou ainda que, "apesar de irmos abandonar os tratados da UE, queremos ter a relação de trocas comerciais mais próxima possível [com o bloco europeu] e é do interesse deles alcançar isso. É totalmente do interesse deles criar um grande acordo comercial connosco e penso que isso vai acontecer."

À Sky News, o conservador acrescentou: "Estamos em conversações com os nossos amigos e parceiros europeus com a expectativa de que, no início do próximo ano, exista uma carta do artigo 50.º. Vamos invocá-lo. Nessa carta estou seguro de que iremos delinear alguns parâmetros que definam a nossa proposta para avançar [com a saída da UE]. Não penso que venhamos a ter de gastar dois anos inteiros nisso, mas vamos ver como corre", acrescentou, em referência ao prazo de 24 meses definido no artigo em questão para concluir a saída — inédita — de um Estado-membro.

Theresa May sucedeu a David Cameron na liderança do Partido Conservador e do Governo britânico após o referendo de junho

Theresa May sucedeu a David Cameron na liderança do Partido Conservador e do Governo britânico após o referendo de junho

JONATHAN ERNST/REUTERS

O que está em causa?

As negociações formais do Reino Unido com Bruxelas e com os 27 Estados-membros do bloco para firmar a saída escolhida por 52% dos eleitores britânicos na consulta popular de junho só podem começar depois de o Governo ativar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, o único mecanismo legal da UE que prevê a saída inédita de um Estado-membro.

Num comunicado sobre o assunto, emitido antes da visita oficial do presidente do Parlamento Europeu a Londres, Martin Schulz disse que "o futuro acordo entre a UE e o Reino Unido deve ser bom para todos os lados e deve permitir que o Reino Unido e a UE continuem a trabalhar em estreita colaboração numa série de aspetos. Em Londres vou sublinhar porque é que o Parlamento Europeu é a favor da ativação do artigo 50.º o mais depressa possível", acrescentou.

Ontem, à chegada ao número 10 de Downing Street para o primeiro de dois dias de encontros oficiais, Schulz admitiu que o Parlamento Europeu "não é o mais fácil" dos parceiros de trabalho, por integrar 750 membros de 28 países que representam 300 partidos nacionais. Ainda assim, sublinhou que está no Reino Unido "para ouvir e para aprender".

Hoje, o presidente do PE, membro do partido social-democrata da Alemanha, deverá encontrar-se com o autarca londrino, Sadiq Khan, e com o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, para os ouvir sobre o mesmo assunto.