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Exército sírio lança nova ofensiva contra o leste de Alepo

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Regime sírio continua a tentar expulsar os rebeldes da oposição do leste de Alepo, onde mais de 300 mil civis estão sitiados há vários meses sem acesso a comida nem medicamentos

FADI AL-HALABI

Especialistas antecipam que a retomada de ataques contra os rebeldes do leste, onde há mais de 300 mil civis sitiados sem comida nem medicamentos há vários meses, é o último prego no caixão do cessar-fogo alcançado pelos EUA e a Rússia a 10 de setembro

O acordo de cessar-fogo para a Síria alcançado pelos Estados Unidos e a Rússia em Genebra há duas semanas, com uma duração de sete dias e que esteve em vigor até à passada segunda-feira, foi marcado por uma série de violações. E assim que terminou, uma equipa de ajuda humanitária do Crescente Vermelho que ia distribuir comida e medicamentos da ONU entre a população sitiada de Alepo foi alvo de um bombardeamento que, na segunda-feira, resultou na morte de 20 civis, incluindo de um voluntário da organização ligada à Cruz Vermelha Internacional.

Responsáveis da organização falam num "crime de guerra", um que os EUA atribuem à Força Aérea russa que tem estado a apoiar o regime sírio na luta contra os rebeldes da oposição. Apesar disso, ainda havia esperanças de que os membros do Grupo de Contacto para a Síria conseguissem salvar a 18.ª iniciativa de paz para o país que foi anunciada a 10 de setembro.

Essas esperanças foram enterradas na madrugada desta sexta-feira, com o Exército sírio a anunciar uma nova ofensiva contra o leste de Alepo, que está sob controlo dos rebeldes que se opõem ao Bashar al-Assad há vários meses. Citadas pelos media estatais, fontes das forças sírias dizem que os civis devem, a partir de hoje, evitar áreas onde os "terroristas" estejam a operar.

O anúncio surgiu depois de um ataque aéreo contra posições rebeldes na quarta-feira à noite, que terá provocado 13 mortos. Não é, para já, certo se a operação militar renovada vai envolver tropas no terreno ou apenas uma campanha de bombardeamentos contra a zona sitiada pelas forças síria há vários meses, onde haverá mais de 300 mil civis a precisar de ajuda humanitária urgente.

Em Nova Iorque, na conclusão de uma semana difícil de negociações à margem da assembleia-geral da ONU, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou que os EUA não podem ser o único país a tentar abrir uma porta para a paz, renovando acusações contra a Rússia aliada de Assad, que Washington tem pressionado para convencer o regime sírio a estacionar todos os seus aviões de guerra. Para Sergei Lavrov, chefe da diplomacia russa, tal corresponderia a uma "pausa unilateral", já que os rebeldes nunca abandonariam as armas nem suspenderiam os ataques contra posições das forças sírias.

As negociações para tentar salvar o acordo de trégua vão continuar esta sexta-feira na ilha de Manhattan, mas as perspetivas de um resultado positivo são escassas. Falando aos jornalistas na quinta-feira à noite, Staffan de Mistura, o representante da ONU para a Síria, descreveu o encontro de ontem entre os negociadores dos dois países como "longo, doloroso e desapontante".

O correspondente diplomático da BBC em Nova Iorque diz que o anúncio da nova ofensiva pelo regime sírio deixa pouco espaço para o diálogo e aponta que as conversações a terem lugar na ONU estão encaminhadas para um claro "falhanço diplomático".