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EUA confirmam uso de gás mostarda pelo Daesh em ataque às tropas no Iraque

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Joseph Dunford, atual chefe de Estado-maior das forças armadas norte-americanas que liderou as tropas dos EUA e da NATO na invasão do Afeganistão, confirma o uso de gás mostarda pelo Daesh

Mark Wilson

Informação foi avançada pelo chefe de Estado-Maior das Forças Armadas norte-americanas à comissão de Defesa do Senado. É o primeiro ataque químico confirmado do autoproclamado Estado Islâmico contra as forças da coligação internacional que o combatem há dois anos

O engenho disparado por militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) contra as tropas norte-americanas estacionadas numa base aérea perto de Mossul, no Iraque, continha mesmo vestígios de gás mostarda, uma arma química banida mas que o grupo radical alegadamente já consegue fabricar e que tem estado a usar naquele país e na Síria.

A notícia de que o Daesh poderia ter usado o agente químico num ataque à base de Qayyarah, a 20 de setembro, cidade do distrito de Mossul onde centenas de soldados norte-americanos estão destacados, foi avançada na quarta-feira por fonte do Pentágono, com o Ministério da Defesa a informar ontem que tinha aberto uma investigação ao incidente para apurar se o grupo radical recorreu mesmo a armas químicas para atacar as tropas americanas e iraquianas instaladas a poucos quilómetros do último bastião dos radicais no Iraque.

Este é o primeiro ataque químico contra as forças da coligação internacional liderada pelos EUA para destronar o Daesh no Iraque e na Síria desde que o grupo proclamou a instalação de um pretenso califado islâmico na região em junho de 2014. O general Joseph Dunford, atualmente chefe de Estado-maior das forças armadas, ressalva que as capacidades e armamento químico do Daesh são ainda muito rudimentares mas admite que o ataque de terça-feira, que não provocou mortos nem feridos, é um "desenvolvimento preocupante".

Foi Dunford quem confirmou, em declarações à comissão de Defesa do Senado na quinta-feira, o uso do "agente mostarda sulfúrico", que provoca cegueira e erupções cutâneas e que, em última instância e em quantidade suficiente, pode provocar a morte por asfixia.

No final de agosto as forças iraquianas reassumiram o controlo de algumas áreas do distrito de Mossul e expulsaram o Daesh de Qayyarah, uma cidade do norte da província considerada estratégica para qualquer futura ofensiva contra os militantes no seu último bastião no Iraque

No final de agosto as forças iraquianas reassumiram o controlo de algumas áreas do distrito de Mossul e expulsaram o Daesh de Qayyarah, uma cidade do norte da província considerada estratégica para qualquer futura ofensiva contra os militantes no seu último bastião no Iraque

SAFIN HAMED

Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, está sob domínio do Daesh há dois anos, esperando-se que as batalhas para retomar o controlo da cidade comecem nas próximas semanas, aponta a BBC. Em abril, Barack Obama tinha sublinhado numa entrevista à CBS News que a sua previsão é que Mossul seja retomada aos radicais pelas forças iraquianas "até ao final do ano", com a ajuda das tropas americanas estacionadas na base de Qayyarah e da campanha de bombardeamentos aéreos da coligação internacional.

Há muito que existem suspeitas do uso e fabrico de armamento químico pelo Daesh no Iraque e na Síria, suspeitas essas que foram fundamentadas em fevereiro pelo diretor da CIA. Numa entrevista ao programa "60 minutos", John Brennan disse na altura que o Daesh não só já usou armas químicas nos dois países onde está instalado como tem capacidades para as produzir. "Houve um certo número de vezes em que o chamado Estado Islâmico utilizou armas químicas no campo de batalha. A CIA acha que o grupo tem capacidades para fabricar pequenas quantidades de cloro e gás mostarda", disse o chefe da secreta externa há sete meses.