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Voluntários do campo de Calais acusados de forçarem refugiados a terem relações sexuais

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Campo de refugiados "Selva"

CHARLES PLATIAU

A alegada exploração sexual que ocorre em Calais pode estar ligada ao facto deste campo de refugiados não ser considerado “oficial”. A fundadora de uma organização de caridade que opera no local confessa que é “extremamente difícil ter controlo sobre os voluntários e que um quinto são independentes de qualquer organização”

Voluntários do maior campo de refugiados, em Calais, no norte de França, são acusados de forçarem migrantes a terem relações sexuais. A notícia é avançada pelo “The Independent”, esta quinta-feira.

O jornal britânico revela que se gerou uma discussão, num grupo do Facebook, entre os voluntários do campo sobre a temática, que foi posteriormente eliminada.

Um voluntário referiu que tinha “ouvido que havia rapazes menores a terem sexo com voluntárias, ou voluntárias a ter sexo com vários parceiros por dia”, no que diz ser “apenas uma pequena parte de uma grande escala de abuso”. O voluntário lamentou ainda que estes encontros sejam prejudiciais para os refugiados, uma vez que estão “numa posição desigualdade de poder” e “dependentes da ajuda dos voluntários”.

O homem acrescentou ainda que na maior parte dos casos eram as voluntárias que se envolviam com refugiados, o que estava a reforçar a ideia de que “muita gente tinha de que os voluntários estavam no campo para ter sexo, o que podia contribuir também para a objetificação feminina”.

Depois de tomar conhecimento da situação, a Agência da ONU para os Refugiados emitiu um aviso para as instituições de caridade em Calais imporem políticas de “tolerância zero” para “ajudar a manter a integridade do trabalho voluntário”, escreve o “The Independent”.

O jornal inglês consultou também dirigentes das instituições que operam no campo de Calais que confirmaram a existência do problema e admitiram que era de difícil resolução. Em causa está o facto de não se tratar de um campo de refugiados oficial e, por esse motivo, não se verificar um controlo sobre todos os voluntários.

A fundadora da organização de caridade “Care4Calais”, Clare Mosely, em declarações ao “The Independent” deu a conhecer o caso de um voluntário que teve um comportamento inapropriado para com refugiadas, quando trabalhava na organização Albergue dos Migrantes. Este grupo francês dedicado a prestar ajuda em Calais dispensou os serviços do voluntário que de seguida começou a trabalhar pela “Care4Calais”.

Mosely contou que a sua organização foi alertada sobre a situação pelo Albergue dos Migrantes e que de igual modo dispensou este voluntário. A fundadora acrescentou ainda que o homem continuou a frequentar o campo até que um grupo de voluntários masculinos foi falar com ele e o persuadiu a não voltar ao campo, o que aparentemente deu resultado.