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Violência xenófoba disparou na Alemanha

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Os ataques contra imigrantes aumentaram 42% no ano passado. A situação é especialmente preocupante em cinco estados da Alemanha de Leste, onde a população tende a “fechar os olhos” perante a violência xenófoba da extrema direita

Em 2015 tiveram lugar na Alemanha 1400 ataques violentos de indivíduos de grupos de extrema direita contra imigrantes, o que representou um aumento de 42% comparativamente ao registado no ano anterior, segundo referiu o relatório anual relativo ao processo da reunificação alemã, apresentado quarta-feira por Iris Gleicke, comissária governamental para assuntos da Alemanha de Leste.

O muito significativo agravamento esteve associado à integração de um milhão de refugiados no país, tendo ocorrido 75 atentados a centros de refugiados no ano passado (apenas 5 no ano anterior).

O problema é especialmente preocupante em cinco estados da antiga República Democrática Alemã (RDA): Brandenburgo, Mecklenburgo-Vorpommern, Saxónia, Saxónia-Anhalt e Thuringia. Os ataques ocorridos na Alemanha de leste foram, em termos proporcionais tendo em conta o número de população, cerca de cinco vezes superiores aos ocorridos na zona ocidental do país. Em Mecklenburgo - estado em que há semanas o partido xenófobo Alternativa para a a Alemanha se tornou a segunda força política, ultrapassando a CDU de Angela Merkel – ocorreram 58,7 atos violentos por cada milhão de habitantes, quando a média nos estados ocidentais foi de 10,5.

Nas zonas da antiga RDA o desemprego chega quase aos 20% e as diferenças em termos de PIB entre as duas zonas do país é de cerca de 27,5%.

Iris Gleicke frisou que a “xenofobia, o radicalismo de extrema-direita e a intolerância representam um grave ameaça social, mas também para o desenvolvimento económico dos ‘novos estados’”, uma vez que é um desincentivo para potencial imigração económica.

A comissária notou que apesar de “a larga maioria dos alemães de leste não serem xenófobos ou de extrema-direita”, tende a “fechar os olhos” perante este tipo de crimes. “Nós alemães de leste temos de pegar neste assunto e decidir se queremos proteger as nossas cidades e aldeias ou deixá-las neste pesadelo”, acrescentou.