Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

ONU “pronta” para retomar distribuição de ajuda humanitária na Síria

  • 333

Staffan de Mistura — aqui ao lado de John Kerry, chefe da diplomacia dos EUA, e de Sergei Lavrov, MNE da Rússia — é o representante especial da ONU para a Síria desde julho de 2014

FABRICE COFFRINI

Planos para entregar comida, roupa e medicamentos às comunidades mais afetadas pela guerra de cinco anos e meio tinham sido suspensos pela organização no início da semana, após um ataque a uma coluna de veículos do Crescente Vermelho Sírio que transportavam mantimentos para Alepo

A ONU diz que está preparada para retomar a distribuição de ajuda humanitária na Síria, após a suspensão de todas as operações humanitárias no país no rescaldo do ataque aéreo a veículos do Crescente Vermelho Sírio que transportavam comida, medicamentos e roupa da ONU para a província de Alepo.

À BBC, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, disse esta quinta-feira que camiões da ONU e do Crescente Vermelho já estão "prontos" para avançar para algumas áreas da Síria "com cuidado e cautela", depois de 20 pessoas terem perdido a vida na segunda-feira no bombardeamento na cidade de Urem al-Kubra.

Os planos para retomar a distribuição de ajuda humanitária no terreno foram confirmados pelo gabinete de coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que na quarta-feira avançou que as operações vão ser reiniciadas assim que possível.

"A preparação dos camiões já foi retomada e estamos preparados para entregar ajuda em áreas sitiadas e de difícil acesso o mais depressa possível", disse o OCHA num comunicado citado pela Al-Jazeera. "As Nações Unidas continuam a pedir garantias de acesso seguro, incondicional, sem entraves e duradouro a todos os sírios em necessidade, onde quer que eles estejam."

Jens Laerke, porta-voz do departamento da ONU, disse que a partida de "vários" camiões era esperada já esta quinta-feira, sem especificar para onde serão enviados. A província de Alepo, cujo leste está sob controlo dos rebeldes que se opõem a Bashar al-Assad e sitiado pelas forças do regime sírio há vários meses, não fará parte da lista de localidades para onde a ONU vai enviar ajuda de emergência.

Cessar-fogo novamente em discussão

Questionado sobre o cessar-fogo de sete dias que os Estados Unidos e a Rússia alcançaram a 10 de setembro em Genebra e que terminou na segunda-feira, Mistura disse que os dois países têm "uma responsabilidade" de conseguir que a trégua continue em vigor, apesar de todos os ataques registados durante e depois da cessação de hostilidades. "Eles [russos e americanos] têm de controlar e convencer os seus próprios parceiros de que isto é um caso sério", disse o representante da ONU para a Síria em Nova Iorque. "A alternativa é o caos, é a guerra. Mas ainda estou otimista."

Esta quarta-feira, os EUA pediram que todos os aviões fiquem estacionados em zonas-chave da Síria para preservar a trégua, depois de fontes oficiais da administração Obama terem responsabilizado a Rússia pelo ataque à equipa humanitária. A Rússia, grande aliada do Presidente sírio, desmente envolvimento e diz que o incidente foi causado por um incêndio no terreno e não por bombardeamentos aéreos.

Depois de o Ministério da Defesa russo avançar essa versão em comunicado na terça-feira, no dia seguinte o porta-voz do Exército, general Igor Konashenkov, não chegou a acusar diretamente os EUA pelo ataque aos camiões do Crescente Vermelho mas disse que só um drone – aviões não-tripulados que os norte-americanos têm estado a usar em diferentes cenários de guerra – seria capaz de executar um ataque de tão alta precisão contra alvos no terreno.

Na sede da ONU, John Kerry assumiu esta quarta-feira que o futuro da Síria está "preso por um fio" e voltou a manifestar "profundas dúvidas" sobre o compromisso dos Governos da Síria e da Rússia com o cessar-fogo na sequência do ataque de segunda-feira.

Esta quint6a-feira, os países que integram o Grupo de Contacto para a Síria, incluindo as duas potências, vão voltar a debater a iniciativa de paz aprovada há mais de uma semana, a 18.ª desde o início da guerra civil síria em março de 2011.