Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“Ele será nosso irmão”. Criança oferece casa e família a menino sírio

  • 333

Só tem seis anos, mas as suas palavras estão a correr o mundo. Alex é norte-americano e, à semelhança de tantas outras pessoas, viu as imagens de Omran, o menino sírio que dentro da ambulância limpa o sangue do rosto. Alex quer ensiná-lo a partilhar a sua bicicleta com ele

Alex tem só seis anos mas já conseguiu fazer ouvir a sua voz. Depois de ter visto as imagens que correram o mundo de Omran Daqneesh, o rapaz sírio de cinco anos que foi salvo dos escombros após a sua casa ter sido bombardeada, o norte-americano escreveu uma carta a Barack Obama a pedir ajuda para adotar Omran. Esta quinta-feira, na Cimeira de Líderes sobre Refugiados, o presidente dos Estados Unidos da América leu a carta, que já se tornou viral.

“Pode, por favor, ir busca-lo e trazê-lo [para minha casa]? Podem estacionar na entrada ou na nossa rua, que nós estaremos à vossa espera com bandeiras, flores e balões. Vamos dar-lhe uma família e ele será nosso irmão”, lê-se na carta.

Para Alex, a solução para resolver os problemas de Omran parece simples. O menino parece já ter tudo planeado. Obama, que se comoveu com a carta, usou-a como exemplo de compaixão.

“Estas são palavras de uma criança de seis anos – uma criança que não aprendeu a ser cínica, ou suspeita, ou assustada em relação a outras pessoas apenas por causa da sua origem, aspeto ou religião”, disse o presidente norte-americano, citado pela CNN. “Todos nós deveríamos ser mais como o Alex. Imaginem o mundo se assim fosse...”

ALEPPO MEDIA CENTER / @AleppoAMC / HANDOUT

A carta na íntegra (pode ver aqui as fotografias do texto original):


“Caro Presidente Obama,

Lembra-se daquele menino na ambulância na Síria? Pode, por favor, ir busca-lo e trazê-lo [para minha casa]? Podem estacionar na entrada ou na nossa rua, que nós estaremos à vossa espera com bandeiras, flores e balões. Vamos dar-lhe uma família e ele será nosso irmão. Catherine, a minha irmã mais nova, irá apanhar borboletas e pirilampos para ele. Na minha escola, tenho um amigo que veio da Síria, o Omar, e vou apresentá-lo ao Omar. Podemos brincar todos juntos. Podemos convidá-lo para as festas de aniversário e ele ensina-nos uma língua nova. E nós podemos também ensiná-lo a falar inglês, tal como fizemos com o meu amigo Aoto , do Japão.

Por favor diga-lhe que o irmão dele será o Alex, que é um bom rapaz tal como ele. Uma vez que ele não trará nem tem brinquedos, a Catherine irá partilhar com ele o coelho azul às riscas. E eu irei partilhar a minha bicicleta e ensiná-lo a andar. Irei ensiná-lo a somar e a subtrair na matemática. E ele pode cheirar o pinguim lipgloss da Catherine, que é verde. Ela não deixa ninguém, tocar-lhe.

Muito obrigada! Mal posso esperar que venham!
Alex
Seis anos”

  • É desta que nos vamos preocupar?

    Um vídeo divulgado por uma organização síria mostra uma criança com pernas, braços e rosto ensanguentados, sentada numa cadeira numa ambulância. Sobreviveu a um ataque aéreo em Alepo, cidade cujo rumo poderá vir a decidir o futuro da Síria.

  • O menino de ninguém que nos pôs todos a olhar para Alepo

    De que serve colecionar crianças-símbolo da dor? Há um ano, um menino sírio morreu numa praia turca. Na quarta-feira, outra criança sem voz foi retirada dos escombros da batalha de Alepo. Inflamam-se as redes sociais e a Internet com a dor e a inação. Até quando?