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Internacional

EUA abrem investigação a ataque do Daesh com armas químicas no Iraque

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Qayyarad fica no distrito de Mossul, o último bastião do Daesh no Iraque

SAFIN HAMED

Exército norte-americano diz que análise preliminar no rescaldo do ataque de 20 de setembro contra uma base perto de Mossul aponta para o uso de gás mostarda por militantes do autoproclamado Estado Islâmico

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) terá usado uma arma química num ataque contra uma base iraquiana onde estão instaladas tropas dos Estados Unidos, perto de Mossul, no Iraque. De acordo com uma análise preliminar do exército norte-americano, o engenho que atingiu a base aérea de Qayyarah, a 20 de setembro, continha vestígios de gás mostarda – um agente químico que, em última instância, pode provocar a morte por asfixia.

Qayyarah pertence ao distrito de Mossul, o último bastião do Daesh no Iraque após a tomada de Fallujah pelas forças iraquianas em junho, apoiadas pelos bombardeamentos aéreos da coligação internacional liderada pelos EUA.

Nenhum soldado iraquiano ou americano ficou ferido no ataque de terça-feira e os EUA já abriram uma investigação ao caso. A confirmar-se que o ataque foi executado por militantes do Daesh, terá sido o primeiro com armas químicas contra as forças da coligação internacional no Iraque.

"A 20 de setembro, a meio da tarde, hora iraquiana, a base aérea iraquiana do Ocidente [em Qayyarah] foi atingida por fogo indireto", disse o Pentágono num comunicado citado pela BBC. "Testes iniciais aos resquícios da arma usada comprovam a presença de agente mostarda. O engenho, muito provavelmente um rocket ou um morteiro, era rudimentar."

O Ministério da Defesa norte-americano sublinha que as centenas de soldados instalados na base aérea de Qayyarah estão preparados para lidar com ataques químicos. No mesmo documento é referido que, após descontaminação, ninguém demonstrou sinais ou sintomas de exposição ao gás mostarda. "Este ataque não teve qualquer impacto na nossa missão nem vamos alterar as nossas posições de segurança na área ao redor [da base]". Treinamos e equipamo-nos, bem como aos nossos parceiros, para lidar precisamente com este tipo de eventualidade."

Desde que o Daesh anunciou a instalação de um califado islâmico no Iraque e na Síria em 2013, já foram documentados pelo menos 20 casos de uso de armas químicas proibidas contra os combatentes curdos do Iraque, um quarto deles envolvendo gás mostarda, para além de relatos de testes químicos em prisioneiros.

Em fevereiro, o diretor da CIA garantiu no programa "60 minutos" que o Daesh não só já usou armas químicas no Iraque e na Síria como tem capacidades para produzi-las. “Houve um certo número de vezes em que o chamado Estado Islâmico utilizou armas químicas no campo de batalha. A CIA acha que o grupo tem capacidade de fabricar pequenas quantidades de cloro e gás mostarda”, revelou John Brennan.