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Internacional

Dezenas de refugiados morrem em naufrágio ao largo da costa egípcia

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Egípcios observam barcos a partirem em busca de sobreviventes

MOHAMED EL-SHAHED

Pelo menos 43 pessoas morreram e 154 foram resgatadas com vida após um bote sobrelotado ter naufragado ao largo da costa de Kafr al-Sheikh, a 140 quilómetros do Cairo, na quarta-feira. Autoridades dizem que a pequena embarcação transportava cerca de 600 pessoas, muito acima do limite. Equipas de resgate continuam à procura de sobreviventes

Pelo menos 43 pessoas perderam a vida e 154 já foram resgatadas pelas autoridades egípcias ao largo da costa de Kafr al-Sheikh, depois de um barco sobrelotado que transportaria 600 refugiados ter naufragado na quarta-feira.

Fontes oficiais disseram pouco depois à agência estatal egípcia MENA que 31 corpos – de 20 homens, dez mulheres e uma criança – já tinham sido retirados do mar, um número que mais tarde foi atualizado pelo correspondente da Reuters no terreno, após um barco de pesca ter retirado outros 12 mortos da água.

O naufrágio deu-se ao largo da costa de Kafr al-Sheikh, província a 140 quilómetros a norte do Cairo. Pelo menos 154 pessoas foram resgatadas com vida, avançaram as autoridades, explicando que equipas de resgate e salvamento continuam esta quinta-feira a tentar encontrar mais sobreviventes.

"Informações iniciais indicam que o barco afundou porque transportava mais pessoas do que o seu limite", disse fonte da polícia egípcia à Reuters. "O barco pendeu para um lado e os migrantes caíram à água." Outras fontes disseram à agência que o bote transportava sobretudo "egípcios, sírios e pessoas de países africanos".

Moahmed Nasrawy, um pescador egípcio, conhecia sete das pessoas que seguiam a bordo, duas delas ainda desaparecidas. "Esta noite mais gente irá sair para o mar", declarou esta quarta-feira à mesma agência. "A pobreza em que vivemos é o que está a movê-los. Apesar de não sermos europeus, eles [na Europa] cuidam das pessoas e o nosso país não."

Ainda não foi apurado para onde é que o barco se dirigia, mas as autoridades estão a assumir que tinha como destino Itália, uma das duas principais portas de entrada de refugiados na Europa. A perigosa travessia do Mediterrâneo central voltou a ganhar protagonismo este ano após o encerramento da rota terrestre dos Balcãs, usada pela maioria do milhão e meio de refugiados que entraram na União Europeia em 2015 após desembarque na Grécia, vindos pela rota oriental do Mediterrâneo, apesar de tudo menos arriscada que a travessia central.

Desde que a UE anunciou um controverso acordo de "devolução" de refugiados à Turquia para tentar reduzir o número de chegadas de requerentes de asilo, mais e mais pessoas têm estado a desembarcar em Itália vindas da costa norte africana. Partem sobretudo da Líbia, onde redes de tráfico humano operam com relativa impunidade, mas também do Egito.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 206.400 refugiados já atravessaram o Mediterrâneo este ano, com mais de 2800 mortes registadas naquele mar entre janeiro e junho, contra as 1838 pessoas que perderam a vida no mesmo período em 2015. A ONU coloca o número de chegadas ao território europeu desde o início deste ano acima dos 300 mil.