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Suspeito bombista formalmente acusado de ataques em Nova Iorque e New Jersey

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O autarca de Nova Iorque, Bill de Blasio, mostra uma foto do suspeito bombista

Spencer Platt / Getty images

Ahmad Rahami, 28 anos, foi detido na segunda-feira, dois dias depois de uma bomba improvisada ter provocado 31 feridos no bairro de Chelsea, em Manhattan

A procuradoria-geral dos Estados Unidos acusou formalmente Ahmad Khan Rahami por colocar bombas improvisadas em Nova Iorque e em New Jersey, cinco dias depois de um dos engenhos explosivos ter sido detonado no bairro de Chelsea, na ilha de Manhattan, provocando 31 feridos. Um segundo artefacto numa rua próxima falhou em detonar. No dia seguinte, foi encontrada outra bomba caseira numa mochila perto de uma estação de comboios em Elizabeth, New Jersey.

Rahami, afegão de 28 anos que obteve cidadania norte-americana ainda adolescente, já tinha sido formalmente acusado pelo estado de New Jersey de tentativa de homicídio de um agente da polícia, depois de um tiroteio com as autoridades durante a sua detenção em New Jersey.

Entre as acusações federais anunciadas esta madrugada contam-se uso de arma de destruição em massa, destruição de propriedade e uso de um aparelho destrutivo. Documentos do tribunal de Manhattan, incluídos no dossiê da acusação que não está selado, mostram que Rahami terá expressado no seu diário o desejo de morrer como um mártir, vingando-se dos EUA pelas contínuas intervenções destrutivas em países do Médio Oriente.

“Vocês [governo americano] continuam a matar [palavra ininteligível] mujahideen ou soldados sagrados, seja no Afeganistão, no Iraque, Sham [Síria] ou Palestina”, lê-se numa passagem citada pela BBC. Numa outra, Rahami elogia Osama bin Laden, Anwar al-Awlaki, clérigo muçulmano nascido nos EUA que foi morto num ataque de drone no Iémen em 2011, e Nidal Hasan, ex-soldado norte-americano que matou 13 pessoas numa base militar do Texas em 2009.

Na queixa-crime apresentada pelo Ministério Público, Rahami é acusado de estar a preparar-se para estes ataques há meses, tendo comprado equipamento para fazer bombas caseiras no eBay para além de ter sido filmado por um familiar a atear “material incendiário” num caixote do lixo.

Rahami ainda está no hospital a recuperar dos ferimentos que susteve durante o tiroteio com a polícia em New Jersey, onde vivia desde que se mudou do Afeganistão para os EUA quando tinha 15 anos.

Donald Trump está a aproveitar a situação para reforçar a sua postura xenófoba anti-imigração, aproveitando o facto de Rahami ter nascido no Afeganistão para defender a proibição de entrada de muçulmanos no país — isto depois de ter condenado as autoridades por prestarem auxílio médico ao suspeito e de ter falado publicamente e com toda a certeza num atentado terrorista logo a seguir à primeira explosão em Chelsea no sábado à noite, quando as causas do incidente ainda não eram conhecidas. Hillary Clinton, sua rival democrata na corrida à Casa Branca, acusa o candidato republicano de estar a dar força aos terroristas fazendo o jogo que eles esperam.