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Presidente das Filipinas reage a críticas da União Europeia com insulto

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LEAN DAVAL JR. / Reuters

Na resposta do Presidente filipino à posição do Parlamento Europeu sobre as execuções extrajudiciais no seu país, Rodrigo Duterte mostrou o dedo do meio para enfatizar o insulto

Luís M. Faria

Jornalista

O Presidente das Filipinas, como sempre, não poupa nos insultos. Perante as críticas da União Europeia às execuções extrajudiciais promovidas por Rodrigo Duterte, reagiu de forma típica: “Quando li as condenações da EU disse ‘vão-se f…’”. Duterte mostrou o dedo do meio para enfatizar o insulto, e acusou: “Estão a fazer isso para expiar os vossos pecados. Agora são rigorosos por que se sentem culpados”.

Duterte referiu-se em concreto à Grã-Bretanha e à França, a quem acusou de terem morto muitos milhares de árabes e outros, em diversas guerras. “Fazem moral para atenuar o seu sentimento de culpa. Quem matei eu? Mesmo admitindo que é verdade, 1700. Quem eram eles? Criminosos. Chamam a isso um genocídio?”

Um comunicado emitido pelo PE na passada quinta-feira dizia: “Os membros do Parlamento Europeu urgem o Governo das Filipinas a pôr fim à onda de execuções extrajudiciais e matanças, a iniciar uma investigação imediata e a adotar políticas e programas específicos e extenso”.

Desde que Duterte foi eleito em maio, mais de 3500 pessoas morreram às mãos da polícia ou de vigilantes. O Presidente filipino estimula essas execuções, que reproduzem a estratégia já aplicada em Davao, a cidade de 1,5 milhões de residentes onde ele foi mayor. Ao longo das suas duas décadas no cargo, a cidade deixou de ser um caos violento, com traficantes de droga e rebeldes comunistas em guerras permanentes, para se tornar um lugar seguro e próspero. Mas o custo humanitário foi elevado.

A semana passada, um homem de 57 anos foi depor na comissão do Senado filipino que investiga execuções extrajudiciais. Contou que fez parte de um grupo que matou mil pessoas entre 1998 e 2013. Ele próprio terá executado umas cinquenta, algumas das quais eram atiradas aos crocodilos.

Duterte respondeu que eram afirmações de um louco, e o Senado recusou dar imunidade à testemunha. Por considerar que não se encontra em perigo.