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Grupo de migrantes africanos pode estar na origem da povoação de todo o mundo

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Um estudo descobriu que o ADN das populações originárias de outros continentes que não África tem um ancestral comum: uma população que viveu há cerca de 75 mil anos e que se presume que deixou o continente africano para se fixar no resto do mundo

Era uma questão que já intrigava os cientistas há algum tempo: saber se o ser humano tinha migrado a partir de África por ondas de emigração ou apenas de uma só vez. Num estudo publicado, esta quarta-feira, no jornal “Nature”, três equipas diferentes de investigadores chegaram à mesma conclusão: apenas uma única população deixou o continente africano para povoar os restantes. A descoberta sugere que todos os povos não originários de África têm um ancestral comum.

Joshua M. Akey, da Universidade de Washington, explica que “houve várias migrações a partir de África, mas aquela que povoou o mundo terá ocorrido em primeiro lugar, dado haver um ancestral em comum”.

As três equipas de investigação estudaram os genomas de 787 pessoas, oriundas de populações indígenas de todo o mundo, obtendo informações bastante detalhadas sobre cada uma delas. O ADN de populações indígenas mais antigas pode ser fundamental para se compreender a história humana. As novas descobertas estão ainda a fazer com que seja alterada a maneira como os cientistas percebem o ADN humano.

Cada equipa de investigadores pegou em porções de genoma humano para esclarecer certos aspetos acerca das origens da humanidade, como a questão da expansão a partir de África.

Pensa-se que esta migração única tenha ocorrido algures entre 50 mil e 80 mil anos atrás. Contudo, há evidências de que os seres humanos habitaram fora de África ainda antes. Em Israel foram encontrados esqueletos humanos com idade entre 90 mil e 120 mil anos. Na Arábia Saudita e na Índia foram descobertas ferramentas sofisticadas que se estima que tenham 100 mil anos. Perante estes resultados, alguns cientistas contestam o estudo agora publicado e sugerem que a expansão humana a partir de África ocorreu muito antes.

Em 2011, Eske Willerslev, investigador da Universidade de Copenhaga, após a reconstrução de genoma de nativos australianos,concluiu que havia algumas evidências de que os ancestrais desta população se tinham separado mais cedo da população africana e teriam migrado para o este da Ásia (entre 62 mil e 75 mil anos atrás). O ADN destes ancestrais tinha algumas particularidades que não foram encontradas no genoma de populações europeias e asiáticas.

No entanto, é preciso não esquecer que estas conclusões foram feitas a partir de uma porção muito “frágil” de genoma, escreve o jornal americano “The New York Times”. Por essa razão, Willerslev decidiu contactar populações nativas australianas para averiguar a sua disponibilidade para participarem num novo estudo. As conclusões a que chegaram revelam que, de facto, estas têm um ancestral comum com os povos europeus e asiáticos – o mesmo que terá migrado a partir de África.