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Polícias nigerianos torturam até que as vítimas lhes paguem

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Amnistia Internacional

Uma brigada especial da polícia nigeriana tinha como missão combater o crime violento, mas em lugar disso os seus agentes têm espalhado o medo, recorrendo à tortura para arrancar confissões e extrair subornos. Denúncia foi feita após uma investigação da Amnistia Internacional

“Nigéria: tu assinaste a tua pena de morte” é o nome do relatório da Amnistia Internacional que a organização divulgou esta quarta-feira, onde dá conta das práticas de tortura levadas a cabo, de forma continuada e impune, por parte de agentes da temida Brigada Especial Antirroubo (BEA), cuja suposta missão seria a de combater a criminalidade violenta.

“Uma unidade policial criada para proteger o povo tornou-se antes um perigo para a sociedade, torturando as suas vítimas com total impunidade, fomentando um ambiente venenoso de medo e corrupção”, afirma Damian Ugwu, investigador da Amnistia na Nigéria.

“A nossa investigação descobriu um padrão de violações sem escrúpulos dos direitos humanos, em que as vítimas são detidas e torturadas até façam uma ‘confissão’ ou paguem aos agentes um suborno para serem libertadas”, denuncia o mesmo responsável.

O título do relatório aproveita a frase dita pelos agentes da BEA a um nigeriano de 25 anos, detido depois do seu patrão o ter acusado de roubo: “Os polícias pediram-me para assinar uma folha em branco. Quando eu o fiz, disseram-me que tinha assinado a minha pena de morte e deixaram-me pendurado em suspensão numa barra de ferro. O meu corpo deixou de funcionar e perdi a consciência. Quando estava quase morto, desceram-me e atiraram-me água para me reanimarem”.

Alguns dos torturados foram detidos por envolvimento em disputas que nem sequer eram de natureza criminal.

Suspensões, fome, espancamentos, alvejamentos e simulação de execuções

Suspensões, fome, espancamentos, alvejamentos e simulação de execuções são alguns dos métodos de tortura utilizados por esta brigada, segundo referiram diversas vítimas à Amnistia Internacional.

Os detidos são mantidos em diversos locais, entre os quais um centro em Abuja, capital da Nigéria, conhecido como ‘Abattoir’, onde a organização colocou 130 pessoas mantidas em celas sobrelotadas.

“Os agentes da BEA estão a enriquecer através da brutalidade. Na Nigéria, a tortura parece ser um negócio lucrativo”, refere o mesmo investigador da Amnistia.

Para lá dos subornos, os agentes envolvidos são também acusados de roubarem ou confiscarem propriedades de familiares dos detidos.

Confrontada pela Amnistia com os dados recolhidos, a polícia nigeriana nega a existência de práticas de tortura. Um alto responsável policial indicou, contudo, que 40 agentes que alegadamente haviam efetuado diversas torturas e maltratado detidos foram transferidos para outras esquadras em abril de 2016, sem adiantar se estava decorrer contra eles algum processo.