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Internacional

Pelo menos cinco mortos registados no segundo dia de violência no Congo

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Manifestantes contra o prolongamento do mandato de Joseph Kabila

Reuters / STRINGER

Os confrontos seguem-se a uma segunda-feira sangrenta no Congo, com os grupos da oposição a denunciar que mais de 50 pessoas morreram durante as manifestações de apelo à demissão de Kabila

Pelo menos cinco pessoas morreram esta terça-feira na República Democrática do Congo, no segundo dia de violência entre a polícia e os opositores do presidente Joseph Kabila. Três edifícios, sede da oposição, foram queimados por homens armados.

O secretário nacional da principal formação da oposição, a União para a Democracia e o Progresso Social (UPDS), disse que a autoria do fogo posto aos seus edifícios tinha sido de uma unidade de comandos do regime. "Um Estado normal responde com represálias?", questionou Felix Tshisekedi, da UDPS.

Nas ruínas queimadas dos escritórios da UPDS viam-se pelo menos dois corpos carbonizados. Duas outras pessoas foram queimadas vivas e uma quinta ficou ferida, relataram repórteres da France Presse.

Uma mulher de 40 anos explicou que o seu marido estava no local quando homens armados atacaram o edifício. "Acabo de pôr o corpo do meu marido na morgue. Morreu nos confrontos", disse à AFP.

Pela manhã, as chamas estavam já controladas noutros dois edifícios - um deles das Forças da União e Solidariedade (FONUS) e outro do Movimento Progressista Lumumbista (MLP) - na parte norte da capital, Kinshasa.

Um membro da FONUS disse que homens armados vestidos à civil chegaram de jipe, regaram a sede do partido com gasolina e deitaram-lhe fogo.

A violência de segunda-feira começou pouco antes de um comício da oposição, que teme que Kabila - no poder na República Democrática do Congo desde 2001 - esteja a planear uma extensão, inconstitucional, do seu mandato. O governo estima que morreram 17 pessoas no primeiro dia de confrontos, mas admitiu que o balanço das mortes poderia ser revisto em alta.

A oposição referiu ainda que as forças de segurança dispararam munições reais contra os manifestantes. A oposição continua a apelar ao povo que proteste nas ruas para exigir que Kabila abandone o poder no final do seu mandato.

Antiga colónia belga, a República Democrática do Congo - rica em minério e diamantes - está mergulhada em convulsão desde a sua independência, em 1960. Até hoje nunca teve uma transição pacífica do poder.