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Internacional

ONU cancela distribuição de ajuda humanitária na Síria

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ABD DOUMANY

Em reação ao bombardeamento de uma coluna de veículos do Crescente Vermelho Sírio que transportavam comida, roupa e medicamentos para a província de Alepo. Ataque provocou pelo menos 12 mortos e destruiu 18 dos 31 camiões de ajuda humanitária

As Nações Unidas suspenderam esta terça-feira todos os planos de distribuição de ajuda humanitária na Síria após uma coluna de 31 camiões que transportavam comida e medicamentos angariados pela organização internacional ter sido bombardeada por aviões de guerra na província de Alepo esta madrugada.

As equipas do Crescente Vermelho Sírio, filial da Cruz Vermelha Internacional, responsáveis pela distribuição, tinham recebido autorização do Governo sírio para se dirigir para a província sitiada, no leste do país. Tanto os Estados Unidos como a Rússia foram notificados do plano, sublinhou esta manhã um porta-voz da ONU.

Dezoito dos 31 camiões ficaram destruídos no ataque à hora em que funcionários e voluntários do Crescente Vermelho descarregavam trigo, roupa de inverno e medicamentos num armazém da organização sem fins lucrativos na cidade de Urem al-Kubra. Há pelo menos um voluntário do Crescente Vermelho entre os mortos.

O ataque desta madrugada está a ser classificado como a gota de água que vai ditar o fim do acordo de cessar-fogo negociado entre os EUA e a Rússia, aliada de Bashar al-Assad, há uma semana. Fonte das forças norte-americanas que integram a coligação internacional para a Síria aponta responsabilidades aos russos, pondo em causa a trégua que tinha como principal objetivo possibilitar a distribuição de ajuda nas áreas mais afetadas pela guerra de cinco anos e meio.

Se todas as partes cumprissem o acordado, mantendo apenas a campanha de ataques ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a outros grupos jiadistas instalados na Síria, Washington e Moscovo planeavam criar uma aliança inédita para destronar esses grupos extremistas.

Ativistas no terreno e o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, dizem que o bombardeamento dos camiões da ONU parece ter sido executado pelas forças leais a Assad. O regime sírio ainda não reagiu publicamente.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby, declarou por sua vez esta manhã que os EUA vão "reavaliar futuras perspetivas de cooperação" com Moscovo no rescaldo do ataque, reforçando a ideia de que também esta iniciativa de paz negociada em Genebra, a 18.ª desde o início da guerra em 2011, vai falhar.

Esta manhã, Stephen O'Brien sugeriu que o "ataque insensível" pode corresponder a um crime de guerra. "Deixem-me ser claro: se for apurado que foi deliberado e que tinha como alvo os humanitários, este ataque corresponde a um crime de guerra", sublinhou o responsável pela ajuda humanitária da ONU em Nova Iorque. "Peço uma investigação imediata, imparcial e independente a este incidente fatal. Os perpetradores devem saber que um dia serão responsabilizados por violações da lei internacional de direitos humanos."