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Internacional

Desespero deverá estar ligado ao fogo que destruiu campo de refugiados grego

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GIORGOS MOUTAFIS/REUTERS

“As pessoas estão fartas de esperar”, diz um responsável da ONU, que não tem dúvidas de que o incêndio que obrigou à saída de mais de 3000 pessoas de um campo de refugiados, na ilha grega de Lesbos, se deveu à falta de condições e ao sentimento de incerteza que afetava os seus ocupantes

Era o maior campo de refugiados da ilha grega de Lesbos, mas as 3000 a 4000 pessoas que se encontravam em Moria tiveram que ser deslocalizadas esta segunda-feira à noite, devido ao incêndio que destruiu grande parte das tendas e contentores.

O fogo acabou por não provocar vítimas, mas cerca de 60% do campo ficou destruído, segundo indica um responsável policial à agência Reuters. Os ocupantes foram abrigados noutros campos.

As autoridades não têm dúvidas de que foi fogo posto. A agência de notícias grega ANA indica que o incêndio começou devido aos confrontos ocorridos entre os ocupantes de diferentes nacionalidades, enquanto o jornal “Kathimerini” refere que foi ateado após terem começado a circular rumores de que estava a ser planeada a deportação das pessoas para a Turquia.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados diz que o fogo esteve ligado à falta de condições e ao grande sentimento de incerteza que afetava os ocupantes do campo. “Eles não sabem quando os seus pedidos de asilo vão ser processados, algumas pessoas sentem que eles não têm suficiente informação. (…) Estão fartos de esperar”, afirmou à Reuters Roland Schoenbauer, porta-voz da organização na Grécia.

Mais de 5700 refugiados e migrantes encontram-se em Lesbos, em sequência do acordo estabelecido entre a União Europeia e a Turquia, no âmbito do qual são mantidos na ilha enquanto os seus pedidos de asilo estão em análise, sendo depois deportados para a Turquia aqueles a quem for recusada a permanência.

As organizações humanitárias têm repetidamente criticado a falta de condições dos campos de refugiados na Grécia, que se apresentam sobrelotados e sem instalações sanitárias adequadas. A situação é especialmente preocupante em Lesbos e outras ilhas do Mar Egeu, junto à costa turca, onde se encontram atualmente mais de 13.500 refugiados e migrantes, apesar dos campos ali existentes apenas teriam capacidade para 7450 pessoas.

A maioria dos que ali se encontram são sírios que fugiram à guerra civil no seu país, mas há também cidadãos iraquianos, afegãos, paquistaneses.