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Sábado Obama apela ao voto dos negros e domingo ao das mulheres

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OLIVIER DOULIERY/EPA

No primeiro caso, o atual Presidente disse mesmo que se os negros não apoiarem Hillary Clinton nas presidenciais encarará isso como um “insulto pessoal”. No segundo, falou numa batalha contra preconceitos “sexistas”

O Presidente Barack Obama sugeriu este domingo que o sexismo e a persistência dos respetivos preconceitos poderão estar a prejudicar a campanha de Hillary Clinton.

“Há um motivo para que nós nunca tenhamos tido uma mulher como Presidente; para nós, enquanto sociedade, ainda sermos reticentes em relação a mulheres com poder”, afirmou durante uma ação de recolha de fundos em Nova Iorque.

Estas declarações foram proferidas um dia depois de Obama ter lançado um forte repto aos afro-americanos para que apoiem a candidata democrata às presidenciais. Aproveitando a sua intervenção numa gala de uma fundação afro-americana em Washington, que também contou com a presença de Hillary Clinton, o atual Presidente foi mesmo ao ponto de afirmar que caso tal não aconteça encarará isso como um insulto pessoal.

“O meu nome pode não estar no boletim (de voto) , mas o nosso progresso está (…) A tolerância está no boletim. A democracia está no boletim. A justiça está no boletim”, declarou.

Durante as primárias, Clinton teve grande apoio de eleitores afro-americanos, em especial de mulheres idosas negras, que contribuíram para a sua vitória frente ao senador Bernie Sanders. As sondagens dão lhe agora 83% das intenções de voto dos afro-americanos, face à fraquíssima popularidade popularidade que o seu rival, Donald Trump, tem entre este grupo.

A questão é que muitos jovens negros associam-na a políticas implementadas pelo seu marido enquanto foi Presidente, o que poderá levar muitos deles a pura e simplesmente não se deslocarem às urnas. “As pessoas dizem, ‘não interessa se Hillary Clinton obtiver 90 % do voto afro-americano’ (…) A questão é, ‘90% do quê?’”, questionou Charlie King, destacado democrata de Nova Iorque, em declarações citadas pelo “The New York Times”.