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Polícia deteve suspeito de explosão em Nova Iorque

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A polícia de Nova Iorque deteve esta tarde o principal suspeito de uma série de explosões em Nova Iorque. Sábado à noite fora abatido o autor de um outro atentado com arma branca em Minnesota. Se no primeiro caso se procura ainda avaliar as motivações, o segundo ataque foi reivindicado pela Daesh

Ahmad Khan Rahami era procurado pelas autoridades nos últimos dias

Ahmad Khan Rahami era procurado pelas autoridades nos últimos dias

HANDOUT/ Reuters

Ahmad Khan Rahami foi detido pelas autoridades norte-americanas na tarde desta segunda-feira. O homem de 28 anos é o principal suspeito dos ataques com bombas artesanais ocorridos em New Jersey e Nova Iorque. Segundo o jornal “The New York Times”, Rahami foi identificado através das câmaras de vigilância perto do local onde a bomba detonou, no bairro de Chelsea, em Manhattan, e junto a outro engenho que acabou por não explodir apenas a uns quarteirões de distância.

O suspeito foi detido após uma troca de tiros com a polícia, em que ficou ferido. O FBI tinha divulgado a fotografia de Ahmad Khan Rahami numa mensagem enviada para milhões de residentes naquela área, identificando-o como “armado e perigoso”.

Nascido no Afeganistão, Rahami naturalizou-se cidadão dos Estados Unidos. Agora, a polícia acaba de anunciar a sua captura.

Este fim de semana, houve vários incidentes com bombas artesanais na região de Nova Iorque. A explosão ocorrida na cidade, na Rua 23, perto da esquina com a Sexta Avenida, no bairro de Chelsea ocorreu às 20h30 de sábado e embora estilhaçasse vidros e atingisse transeuntes, dos 29 feridos ligeiros identificados pela polícia nenhum necessitou de ficar internado.

Pouco depois era descoberto nas imediações um outro artefacto explosivo, na Rua 27, entretanto destruído pela brigada de minas e armadilhas. Numa lixeira perto de Seaside Park, em New Jersey, rebentou outra bomba, próximo do local onde seria realizada uma corrida anual de cinco quilómetros, em homenagem a veteranos de guerra. Ninguém ficou ferido.

Esta segunda-feira de manhã, hora local, um terceiro engenho explodiu quando era manipulado por um robô policial perto de uma estação de metro em Elizabeth, Nova Jersey, a apenas 25 quilómetros de Manhattan, perto da última residência conhecida do principal suspeito destes ataques, adiante referido.

Todos estes engenhos tinham tecnologia semelhante aos detonados na Maratona de Boston (2013, três mortos): panelas de pressão cheias de objectos metálicos para projectar estilhaços e tendo como detonador luzes de Natal modificadas.

Também no sábado, aconteceu um atentado com arma branca, num centro comercial do Minnesota, nos EUA, e não está relacionado com a sequência de pequenos ataques bombistas em New Jersey e Nova Iorque, garante o FBI ao Expresso.

No atentado com maior visibilidade, Dahir Adan, 22 anos, esfaqueou nove pessoas no centro comercial Crossroads Mall, em Saint Cloud, cidade a norte de Minneapolis, região com a maior comunidade imigrante somali nos EUA. Todas as vítimas estão livres de perigo. O atacante foi abatido pela polícia. Mais tarde, e segundo o FBI, um comunicado do Daesh na internet viria a reivindicar este ataque, classificando Adan como “soldado do califado”.

Se este atentado foi com faca, houve vários incidentes com bombas artesanais na região de Nova Iorque este fim de semana, desligados do incidente anterior.

Entretanto, há um manifesto colocado na rede social Tumblr da autoria de um indivíduo que se diz gay, a reivindicar os ataques. Este desconhecido confessa-se “um gay oprimido” e ameaça mais atentados. O FBI desconhece a veracidade destas alegações e se o entretanto detido Rahman é, ou não, autor das mesmas.

O FBI afasta, por agora, a possibilidade de se estar perante uma célula terrorista, depois de no domingo o governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, ter falado de um atentado terrorista doméstico, ou seja, sem ligação a qualquer grupo internacional. Esta manhã, Bill de Blasio, o presidente da Câmara de Nova Iorque, corroborou a tese do FBI.

Donald Trump, que logo após o ataque de Manhattan denunciou os “perigos do terrorismo islâmico”, passou a manter-se em silêncio depois de ter sido acusado de ter reagido depressa de mais, sem esperar pela posição oficial do FBI e das autoridades de Nova Iorque. Ambas, como se disse, descartam a hipótese de um ataque radical islâmico.

Hillary Clinton, por seu lado, disse que estava em contacto com as autoridades nova-iorquinas e ressaltou que o país precisa de dar apoio às vítimas. “Precisamos de cidadãos vigilantes mas não amedrontados,” concluiu.

Estes atentados ocorrem uma semana depois das comemorações do 15.º aniversário dos ataques de 11 de Setembro em Nova Iorque e numa altura em que a cidade acolhe uma importante reunião da ONU. com muitas dezenas de chefes de estado e de Governo, incluindo de Portugal.