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Novas denúncias de abusos e tentativas de suicídio no centro de imigrantes de Nauru

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Vigília em Sidney, capital da Austrália, em maio de 2016, para denunciar os alegados abusos sofrido pelos candidatos a asilo detidos em Nauru

Getty

Novos relatórios revelam mais casos de abusos sexuais a mulheres e tentativas de suicídio entre menores no centro para imigrantes da Austrália em Nauru, noticia esta segunda-feira a edição australiana do The Guardian.

Segundo o jornal, os relatórios foram escritos por trabalhadores da área social dos Connect Settlement Services entre janeiro e março e dão conta, entre outros casos, da história de uma refugiada que estava numa paragem de autocarro e foi empurrada para dentro de um veículo e depois violada por dois homens.

A vítima foi aparentemente abandonada noutro local sob a ameaça de "ser assassinada se contar o que aconteceu", razão pela qual desistiu de denunciar o caso, segundo indicaram os assistentes sociais que trabalhavam em Nauro.

Os documentos agora analisados pelo jornal alertam para "os riscos contínuos e significativos" para as crianças e descrevem como estas queimam os braços com cigarros, tentam saltar de edifícios para pôr fim à própria vida ou tentam suicidar-se por outros meios.

O mesmo jornal publicou em agosto mais de dois mil relatórios que detalham os abusos e traumas infligidos a crianças e mulheres no centro de Nauru.

Um porta-voz do Ministério da Imigração australiano disse ao diário que os refugiados que vivem em Nauru são incentivados a denunciar todos os incidentes à polícia, incluindo os ataques sexuais.

"Apesar de a lei e ordem na comunidade nauruana ser um assunto do Governo de Nauru, o Ministério e os seus provedores de serviços oferecem um apoio importante para ajudar a obter informação e adotar as ações necessárias que resultem dos incidentes denunciados", acrescentou o porta-voz.

A Austrália reativou em 2012 a sua política para a tramitação em países terceiros dos pedidos de asilo por parte de imigrantes que viajam para a Austrália e acordou a abertura de centros de detenção na Papua Nova Guiné e Nauru.

A ONU e grupos de defesa dos direitos humanos criticaram estes centros, que estão a ser investigados por um comité do Senado australiano por alegados abusos sexuais e outras violações.

Num relatório recente, a Human Right Watch (HRW) e a Amnistia Internacional (AI) denunciaram que cerca de 1.200 requerentes de asilo, incluindo mulheres e crianças, que foram transferidos pela Austrália para Nauru, são vítimas de graves abusos, tratamento desumano e negligência.

Muitos dos imigrantes retidos em Nauru e na Papua Nova Guiné fugiram de conflitos como os do Afeganistão, Darfur, Paquistão, Somália e Síria e outros escaparam de discriminação como as minorias rohingya, da Birmânia, ou bidune, da região do Golfo.